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Aqui e lá

Leichenwetter

Dort und hier

Ja, wir werden sein und uns erkennen,
Nicht mehr machtlos zueinander brennen.

Dumpfer Druck von Unempfindlichkeiten
Dünkt uns dann der Kuß der Erdenzeiten.

Wir erwachen weinend aus dem Wahne,
Daß die Leiber Lust sind, die Organe.

Uns erschüttert trunkene Erfahrung:
Nur die Flamme lebt, nicht ihre Nahrung.

Hier berühr ich dich. Dort wird gelingen,
Flamme, daß wir Flammen uns durchdringen.

Und ich brenne tief, was wir hier litten,
Dort im Geisterkuß dir abzubitten.

Aqui e lá

Sim, nós vamos existir e nos reconhecer,
Não vamos mais queimar impotentes um pelo outro.

Pressão surda de insensibilidades
Nos parece então o beijo dos tempos da Terra.

Acordamos chorando da ilusão,
De que os corpos são prazer, os órgãos.

Nos abala a embriaguez da experiência:
Só a chama vive, não sua comida.

Aqui eu te toco. Lá vai dar certo,
Chama, que possamos nos atravessar como chamas.

E eu queimo fundo, pelo que sofremos aqui,
Lá, no beijo dos espíritos, te devorando.

Composição: