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Letra

    4.0 aí, eu tô firmão
    Ainda forte, com muita disposição
    Recuar não é opção
    Eu não me entrego, porque sou de escorpião

    Meu cabelo tá caindo
    Não sei se é da idade
    Ou da testo que aplico
    Mas isso é irrelevante, moro
    Cheguei até aqui, me considero um vencedor

    Disseram que eu não chegava aos 25
    Por várias tretas, vários vacilos
    Época pesada, dilúvio, tempestades
    Começo anos 2000, quem viveu sabe

    A galera reunida na praça
    Rolava até uns rap, drogas, cachaça
    Passava por ali quase todo dia
    Seguindo meu rumo, sentido academia

    De vez em quando por ali ficava
    Mas álcool, crime e droga nunca foi minha parada
    Certo dia a bala comeu
    Vários tiros, o mano quase morreu
    Uma bala alojada no abdômen
    Mó gritaria, muito sangue

    Bala pra todo lado, bala perdida
    Até uma mina no ombro ficou ferida
    Corri pra casa, liguei o meu coroa
    Buscamos o irmão do mano de caranga

    Em alta velocidade, meu coroa bem louco
    Atravessando a cidade, destino pronto-socorro
    Tudo começou no findi anterior
    Em uma discussão, um deles se alterou

    Ele tremia, fungava, gritava
    Pelo banana o comparsa perguntava
    Isso foi um fato, mas é passado
    Tento esquecer, tento deixar de lado

    Outra fita que presenciei
    Foi no centro, não acreditei
    Era pra ser apenas curtição
    Um rolê, uma distração

    Até tentei levar o bola pra casa
    Ele tava foragido, enrolado até umas horas
    Não me escutou, mais uma vez se entregou
    Uma fita errada, se ferrou

    Meteram o cara, mas ele era polícia
    Luta corporal, tiro, gritaria
    Ficou caído na avenida
    Aguentaram um táxi, deram fuga
    Mas foram pegos no marinha

    Já era, 10 anos no fechado
    Onde o cigarro era o único aliado
    Não tinha boi, os guri eram ruins
    Trocavam soco com a polícia, na quebrada era assim

    Em uma dessas eu também caí
    Decepção pros meus coroas, vergonha pra família

    Superei, tomei um rumo na vida
    Larguei a patifaria, larguei a putaria
    Me casei, formei minha família
    Tenho uma filha linda, foquei na academia

    Hoje tô de boa, sheipado
    Treinando pesado, tipo cavalo
    Seguindo em frente, esquecendo o passado

    Naquela época vários se fudeu
    Eu escapei, mas vários morreu
    Hoje o passado não mais me persegue
    Mas as cicatrizes ficaram em minha pele

    Ainda fujo, mas me lembro da incerteza
    De uma época sangrenta e violenta
    Me afastei, fiquei um tempo sumido
    Até acharam que eu tinha morrido

    Me afastei do rap, queria refletir
    Se valeu a pena tudo aquilo que vivi
    Tretas, garrafadas, facadas, hospital
    Preso na delegacia em pleno Natal

    4.0 aí, eu tô firmão
    Ainda forte, com muita disposição
    Tô firmão


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