La Liberté Guidant le Fer
Un mètre quatre-vingt d'acier rouillé
exécutent des va-et-viens
dans l'incubateur de la vierge
La Liberté, guidant le fer,
venge tous les dissidents
Marche au son des trompettes,
pour une guerre légitime
Salive inflammable, porte notre rage!
Enfonçons la gueule des moines
à s'en briser les phalanges,
à s'en faire claquer les dents
en dépucelant les nonnes
Je donne la main à la Faucheuse,
ce petit bout de fille déjà dangereux
Elle en veut au monde entier,
rêve d'ordre et de gaité
Mais elle naquit dans un monde obscur
où le criminel est vénéré
Elle deviendra Liberté,
comme je t'aime... comme je t'aime...
Je rêve du jour où, bouillonnants,
on explosera à chaque agression
Les vêtements cachant nos lames,
nous ne serons plus des poupées
mais des grenades
Je pense à demain où, impatient,
je promènerai Liberté dans la nef
L'oriflamme à figure d'ange
Fillette, puisse-tu nous inspirer
Et si l'on parvient à nous enfermer,
je pourrais toujours te redessiner
Une craie, un charbon
ou même mon sang
pour entretenir ma fécondité
Je suis ma propre nourriture,
tu es ma raison d'être
Guide le fer à travers ce qui remue...
ce qui pue la sueur, la galle de la communauté
La mort dans l'âme...
Fais couler cette chair infectieuse
en direction des égouts,
que survoleront,
précédées de scintillements,
les lucioles de mes rêves
Guide le fer à travers chaque nuisance
sonore ou visuelle, profonde ou superficielle
et enseigne-moi comment détruire de façon optimale
Je sais déjà sourire quand j'ai mal
alors ne perdons plus de temps,
Liberté, conduits-moi, moi et mes enfants
A Liberdade Guiando o Ferro
Um metro e oitenta de aço enferrujado
fazendo idas e vindas
no incubador da virgem
A Liberdade, guiando o ferro,
vengando todos os dissidentes
Marcha ao som das trompetas,
por uma guerra legítima
Saliva inflamável, carrega nossa raiva!
Vamos enfiar a cara dos monges
até quebrar as falanges,
até estalar os dentes
desvirginando as freiras
Eu dou a mão à Morte,
essa garotinha já perigosa
Ela quer o mundo inteiro,
deseja ordem e alegria
Mas nasceu em um mundo obscuro
onde o criminoso é venerado
Ela se tornará Liberdade,
como eu te amo... como eu te amo...
Eu sonho com o dia em que, fervendo,
explodiremos a cada agressão
As roupas escondendo nossas lâminas,
não seremos mais bonecas
mas granadas
Eu penso em amanhã onde, impaciente,
levarei a Liberdade na nave
A oriflama com figura de anjo
Garotinha, que você possa nos inspirar
E se conseguirem nos trancar,
eu sempre poderei te redesenhar
Uma giz, um carvão
ou até meu sangue
para manter minha fecundidade
Eu sou minha própria comida,
você é minha razão de ser
Guia o ferro através do que se agita...
do que fede a suor, a ferida da comunidade
A morte na alma...
Deixa escorrer essa carne infecta
direção aos esgotos,
que serão sobrevoados,
precedidos de cintilações,
os vaga-lumes dos meus sonhos
Guia o ferro através de cada incômodo
sonoro ou visual, profundo ou superficial
e ensina-me como destruir de forma ótima
Eu já sei sorrir quando estou com dor
então não vamos perder mais tempo,
Liberdade, conduza-me, eu e meus filhos