Cancion a la cama del ovido
Relator (en off): Los cortesanos de Francisco I ven postergados sus planes. El oscuro personaje ha desaparecido de las Indias y todavía no apareció en ninguna otra parte. Segismundo Freud sigue dando conferencias en Viena aunque planea un viaje a Cremona. Un extraño espadachín flamenco ha mantenido secretas conversaciones con Francisco I, pero Rafaello no puede ser porque está en Sevilla. Thales de Mileto sigue negándose a concurrir a la corte de Francia. La ira y el tedio del rey crecen día a día. Los cortesanos deben entretenerlo mientras no se concretan sus designios. A tal fin, conducen ante el monarca un grupo de juglares, sorprendidos haciendo las delicias de ciertos mercaderes trashumantes, que trasladan un extraño cargamento desde Andalucía a los Países Bajos. Al principio, los juglares no se atreven a verter el contenido de sus lascivas coplas ante el soberano, pero son obligados a hacerlo. Temen ser castigados por la procacidad de sus cantares, mas deben actuar por fuerza. Por lo tanto, han elegido para su presentación frente al rey, dos canciones levemente obscenas, que ya le brindan.
(Francisco I está recostado. Frente a él, los juglares le interpretan sus canciones)
Juglar:
En mi pieza hay una cama
que la llamo del olvido
por dar consuelo a mi drama
cuando estoy muy abatido.
Si de las penas la hiel,
me acorrala con su acecho,
recuerdo el refrán aquel
que decía: A lo hecho, lecho.
Mi cama disipa el luto
que tortúrame y agita
cuando en ella lo discuto
con alguna señorita.
Cama me hiciste sentir
que si no quiero amargarme,
antes de irme a dormir
es muy útil acostarme.
Canção da Cama do Esquecimento
Relator (em off): Os cortesãos de Francisco I veem seus planos adiados. O personagem obscuro desapareceu das Índias e ainda não apareceu em lugar nenhum. Segismundo Freud continua dando palestras em Viena, embora planeje uma viagem a Cremona. Um estranho espadachim flamengo manteve conversas secretas com Francisco I, mas não pode ser Rafaello, pois ele está em Sevilha. Tales de Mileto continua se recusando a comparecer à corte da França. A ira e o tédio do rei crescem dia após dia. Os cortesãos devem entretê-lo enquanto seus planos não se concretizam. Para isso, levam até o monarca um grupo de jograis, que surpreendidos, fazem as delícias de certos mercadores itinerantes, que transportam uma carga estranha da Andaluzia para os Países Baixos. No começo, os jograis não se atrevem a expor o conteúdo de suas coplas lascivas diante do soberano, mas são obrigados a fazê-lo. Temem ser punidos pela indecência de suas canções, mas precisam agir por força. Portanto, escolheram para sua apresentação diante do rei, duas músicas levemente obscenas, que já estão prontas para ele.
(Francisco I está reclinado. Diante dele, os jograis interpretam suas canções)
Jogral:
Na minha peça tem uma cama
que chamo de esquecimento
pra dar consolo ao meu drama
quando estou em abatimento.
Se a amargura me cercar,
com seu olhar de espreita,
lembro aquele ditado
que dizia: O que foi, foi.
Minha cama dissipa o luto
que me tortura e agita
quando nela eu discuto
com alguma senhorita.
Cama, você me fez sentir
que se não quero me amargar,
antes de ir dormir
é bem útil me deitar.