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Letra

    Então vamo lá
    Vamos ver no que vai dar
    Ficha na mesa, aposto no jogo e deixo o dado rolar
    Não tem crença, não se joga no chão
    Não tem ginga, não se joga no chão
    É tudo uma questão de entender o papel
    Tá amassado ou esqueceu pra que lado estender a visão?
    E vou contando
    Os anos, os atos, vitórias, fracassos
    Mal acordei e já vi todos os discursos gastos
    Mais que meus sapatos
    De andada
    Não sou o caranguejo da fábula
    De Recife que pisa nos outros
    E atrasa a parada
    Tô correndo por fora no chinelinho
    Pária de todas escolas
    Ligado em erguer meu castelo
    Do que azarar o do vizinho
    Macaco véio criado na selva de Casa Amarela
    O espinho da flor já secou
    Já passei com a minha dor
    Correndo nem dá pra pensar na sequela
    Se for devagar, o sinal amarela
    É fella
    Não tá fácil
    Joga na raça
    Na falta de um esquema tático
    Tanto buraco, campo minado
    Aprendi tanto com o jogo do Windows
    Que o erro já tá decorado
    Quem já viu, já se ligou
    Cem já viu e se lixou
    Quarenta anos passaram na minha vida
    Advinha... Nada mudou!
    Não sou o herói do filme de sucesso
    Nem o sucesso tenho do herói
    Eu tenho saliva pra gastar na rima
    Homem de ferro a ferrugem corrói
    E os livros de auto ajuda só ajudam a quem escreve
    Já basta de teoria, eu quero sentir é na epiderme
    O pelo arrepiando de ouvir no streaming o meu som
    E o cara do meu lado dizendo: Carai, o teu som é bom!
    De tijolo em tijolo, erguendo o meu prédio
    Tendo sonho grande, cansei de ter sonho médio
    E uma pá pensando que pratico o impossível
    Só te digo uma coisa
    Meu dom não é perecível
    Eu tô dando continue, o jogo não acabou
    E na lei da causa efeito
    Foi você que se afetou
    Vim provar para mim mesmo
    Não me dou por derrotado
    Nem tô tipo Cassiano
    “Estou ficando velho e acabado”
    Suor derrubado não volta pro rosto
    Já vim até aqui, pra ficar a um passo da glória
    Nem tô a fim de matar ninguém de desgosto
    Espírito Santo, prazer, eu trago a vitória
    Aquele que desce do Morro
    Bolando fazer um din
    Mantendo o verso no peito
    Desculpe, mas não me vendi
    Bota no ouvido esse som
    Na mente bota essa ideia
    Malandragem ruim acaba no chão
    Ou abrindo a porta da própria cela
    Da terra de onde eu venho
    Não tem serial comédia
    E que comecem os jogos


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