Tránsit
Under a black veil of smoke
the valley of anxiety opens
concrete blocks and cement
the saintly herb, the boxes of detergent
in this valley of asphalt and lead
chili, tortilla and salt to eat
at xochimilco lake
I imagine a golden eagle...
down the Zaragoza exit,
by the houses with grey walls,
between the patios, the clotheslines
the country's new clothes
being forged by hands and labor
stone on stone, the construction
from the province, I brought a dream
to this big lake, city of the Sun
I cry for my beloved homeland
because I am so far away
with a saddened soul
I also cry for her
the one who is lost
and I, lost for her
Tooth and tooth, blood with blood
valley of lead, mistaken machine
crazy with asphalt
dust, rain, thunders from the pay-off commission
little scares you
little you like
everything you swallow
everything you blame
stone with stone
data with data
what is the bar code on your epitaph?
Tooth and tooth, blood with blood
no one responds for these streets
in the distance, the electric cables
make a nest of travelling shadows
and at the corners all the dead
the drains steal your dreams
from millions, a rain of tears
from their enchantments and frustrations
Between the stones of a dead lake,
the lament of a city is heard
another colony extends itself
another family, no salary and no home
but the plant keeps blooming,
everyone struggles to win each day,
we all enjoy life for a while,
transit passes, comes and goes
Trânsito
Sob um véu negro de fumaça
vale da ansiedade se abre
blocos de concreto e cimento
a erva sagrada, as caixas de detergente
neste vale de asfalto e chumbo
pimenta, tortilla e sal pra comer
no lago de Xochimilco
imagino uma águia dourada...
na saída Zaragoza,
perto das casas com paredes cinzas,
entre os pátios, os varais
a nova roupa do país
sendo forjada por mãos e trabalho
pedra sobre pedra, a construção
da província, trouxe um sonho
pra este grande lago, cidade do Sol
Choro pela minha amada pátria
porque estou tão longe
com a alma entristecida
também choro por ela
a que está perdida
e eu, perdido por ela
Dente com dente, sangue com sangue
vale de chumbo, máquina errada
louco com asfalto
poeira, chuva, trovões da comissão de propina
pouco te assusta
pouco te agrada
tudo que você engole
tudo que você culpa
pedra com pedra
dado com dado
qual é o código de barras no seu epitáfio?
Dente com dente, sangue com sangue
ninguém responde por essas ruas
à distância, os fios elétricos
fazem um ninho de sombras viajantes
e nas esquinas todos os mortos
as bocas de lobo roubam seus sonhos
de milhões, uma chuva de lágrimas
dos seus encantos e frustrações
Entre as pedras de um lago morto,
o lamento de uma cidade é ouvido
outra colônia se estende
outra família, sem salário e sem lar
mas a planta continua a florescer,
todos lutam pra vencer a cada dia,
todos aproveitamos a vida por um tempo,
o trânsito passa, vem e vai