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A Remojo

linaje

A Remojo

Si las estrellas no se contaran
Sería por ellas y no por nuestras miradas
Luna maldita, piel de madera
En mi laguna no se reflejan tus penas

Será que me escondo donde las mañanas
Y todas las malas lenguas no saben a puñalada
Donde, cuando me despierto y najo
Se queda la cama sin hacer

Donde cada noche huele a cabalgada
Donde camino en silencio, donde vuelan las navajas
Donde se baila por vena, donde, cuando me voy, ya quiero volver

Yo te hablaré de amor, te taparé los ojos
Me pondré a remojo si lo quieres tú
En esta celda sin mi voz
Tú qué sabrás de amar
Susurran las paredes
Y mis menesteres se querrán marchar
Pa' yo quedarme aquí si quieres

Será que me muero de ganas de hablarte
Anda, niña, dame un beso, luego me cuentas tu tarde
Que las mías son más feas y me quitan tiempo para verte a ti
Será que me pierdo en tu mirar cansado de aguantar mis despedidas
Por trotar como un caballo
De los mordiscos de perro que te ofrezco cuando no me quieres ver
Ni ver

Lo que tengo dentro del pecho
No son más que dos silencios
Que se hacen llamar latidos
Ser el pétalo enfermizo
Que, a pesar de pisar flores
Amansa los corazones
Cada vez que está contigo

A Remojo

Se as estrelas não fossem contadas
Seria por elas e não pelos nossos olhares
Lua maldita, pele de madeira
Na minha lagoa não se refletem suas penas

Será que me escondo onde as manhãs
E todas as más línguas não sabem a facada
Onde, quando acordo e desço
A cama fica sem arrumar

Onde cada noite cheira a cavalgada
Onde ando em silêncio, onde voam as facas
Onde se dança na veia, onde, quando vou, já quero voltar

Eu vou te falar de amor, vou tapar seus olhos
Vou me colocar em remojo se você quiser
Nesta cela sem minha voz
O que você sabe sobre amar
As paredes sussurram
E meus desejos querem ir embora
Pra eu ficar aqui se você quiser

Será que estou morrendo de vontade de te falar
Vai, menina, me dá um beijo, depois me conta da sua tarde
Porque as minhas são mais feias e me tiram tempo pra te ver
Será que me perco no seu olhar cansado de aguentar minhas despedidas
Por correr como um cavalo
Dos mordiscos de cachorro que te ofereço quando não quer me ver
Nem ver

O que tenho dentro do peito
Não são mais que dois silêncios
Que se fazem chamar batimentos
Ser o pétalo doentio
Que, apesar de pisar flores
Acalma os corações
Toda vez que está contigo

Composição: Aaron Romero