395px

Cargando com Séculos

LOCURA POÉTICA

Cargo Con Siglos

Cargo con siglos como quien carga cajas vacías
Prometí en eternidad
Y era solo seguir respirando

Yo no me rompo
Pero todo alrededor aprende a irse
Y cada despedida
Me cobra por quedarme

Yo quise creer que durar
Era vencer
Pero durar es mirar
Cómo se apagan las luces ajenas

Amé sin medida
Sabiendo que siempre perdía
Porque amar siendo infinito es firmar la derrota antes

Si vivir es gastar el cuerpo hasta entenderlo
Yo me quedé fuera de esa lección

No sangro como antes
No caigo del todo
Y eso no es un premio
Es una condena elegante

Quiero un final que me cierre los ojos
No otro amanecer que me obligue a seguir
Quiero acabar como acaban las cosas reales
Sin aplazamientos
Sin promesas de después

Al principio creí
Que era ventaja
Aguantar más que el resto no caer
Luego entendí que ganar siempre es perder lento
Me acostumbré a empezar de cero tantas veces
Que ya no sé si alguna vez
Empecé algo

He amado sin freno sabiendo el final
Con la certeza sucia de que yo no me iba
Nada jode más que quedarse entero
Cuando el otro se convierte en recuerdo
El tiempo no me cuida, me usa
Me pisa para seguir avanzando

Yo no envejezco
Pero me canso
Y ese cansancio no se nota por fuera
No hay romanticismo en no acabar
No hay premio en seguir respirando por costumbre
La eternidad es una broma pesada
Que solo hace gracia quien no la vive

He pensado en largarme mil veces
Aunque no exista un sitio donde ir
Porque cuando no puedes terminar
Ni siquiera huir sirve de algo

No quiero durar más que mis ganas
Ni ver como todo vuelve a empezar sin mí

Quiero desaparecer como desaparecen las almas inquietas
Sin ruido, sin aplauso, sin quedar pendiente

Me levanto por inercia
No por ganas
Otro día copiado del anterior

Pero la vida no pasa, se acumula
Pienso para no gritar
Y grito solo por dentro
Porque fuera molesta la verdad

Cargando com Séculos

Carrego séculos como quem carrega caixas vazias
Prometi a eternidade
E era só continuar respirando

Eu não me quebro
Mas tudo ao meu redor aprende a ir embora
E cada despedida
Me cobra por ficar

Eu quis acreditar que durar
Era vencer
Mas durar é olhar
Como se apagam as luzes dos outros

Amei sem medida
Sabendo que sempre perdia
Porque amar sendo infinito é assinar a derrota antes

Se viver é gastar o corpo até entendê-lo
Eu fiquei de fora dessa lição

Não sangro como antes
Não caio por completo
E isso não é um prêmio
É uma condenação elegante

Quero um final que me feche os olhos
Não outro amanhecer que me obrigue a seguir
Quero acabar como acabam as coisas reais
Sem adiamentos
Sem promessas de depois

No começo acreditei
Que era vantagem
Aguentar mais que os outros, não cair
Depois entendi que ganhar sempre é perder devagar
Me acostumei a começar do zero tantas vezes
Que já não sei se alguma vez
Comecei algo

Amei sem freio sabendo o final
Com a certeza suja de que eu não ia
Nada fode mais do que ficar inteiro
Quando o outro se torna lembrança
O tempo não me cuida, me usa
Me pisa para continuar avançando

Eu não envelheço
Mas me canso
E esse cansaço não se nota por fora
Não há romantismo em não acabar
Não há prêmio em continuar respirando por costume
A eternidade é uma piada pesada
Que só faz graça pra quem não a vive

Pensei em me mandar mil vezes
Mesmo que não exista um lugar pra ir
Porque quando você não pode terminar
Nem mesmo fugir adianta

Não quero durar mais que minha vontade
Nem ver como tudo volta a começar sem mim

Quero desaparecer como desaparecem as almas inquietas
Sem barulho, sem aplauso, sem ficar pendente

Me levanto por inércia
Não por vontade
Outro dia copiado do anterior

Mas a vida não passa, se acumula
Penso pra não gritar
E grito só por dentro
Porque fora incomoda a verdade

Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez