Cuanto más conozco a la gente, mas me gusta mi perro
Cuanto más me arrastro por la calle
Más me huele a mentira el mundo entero
Las sonrisas baratas me saben a sangre
Y los abrazos de humo se rompen con el viento
Cuanto más conozco a la gente
Más me gusta mi perro
Que no presume de dientes
Que no me vende el destierro
Que me lame las heridas
Que el mundo me va dejando
Yo prefiero el silencio de un lomo peludo
Que no me pregunta ni quiere saber
Yo duermo mejor con un par de ladridos
En la acera rota me pierdo a menudo
Me cago en la gente que finge quererte
Se llena en la boca de mierda barata
El perro me mira con cara de loco
No entiende de egos ni falsas sonrisas
Yo me enciendo un canuto para volar despacio
Que me lleve donde no haya ruido
El perro me sigue mordiendo la sombra
Y el mundo pudre sin pedir permiso
Que asco me dan los cabrones de turno
Jugando a reyes en tronos de mierda
Que vengan de frente
Que ladren conmigo
Que tengo un demonio fumando en la mano
Que le follen al cura
Que repartan su mierda y recen después
Yo duermo tranquilo con un porro en la boca
Y un perro que vale por toda la gente
Me mira mi perro y el mundo se cae a pedazos
En sus ojos caben todas mis guerras
Y que ladren los hombres me da igual su ruido
Yo tengo un colega con patas y hocico
El noven de su alma, no quiere perdón
Me lame las venas
Y me presta calor
Me sobra la gente que juega a ser libre
Mientras besa cadenas con cara de santos
Que predica justicia
Que grita palabras y esconde en el culo su propio fracaso
Yo sigo en la esquina
Fumándome el tiempo
Maldiciendo la vida
Y sangrando despacio
Cuanto no más conozco a la gente
Mas me gusta mi perro que no presume de dientes
Que no me vende el destierro
Que me lame las heridas
Que el mundo me va dejando
Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cachorro
Quanto mais eu me arrasto pela rua
Mais o mundo inteiro me cheira a mentira
Os sorrisos baratos me lembram de sangue
E os abraços de fumaça se quebram com o vento
Quanto mais conheço a gente
Mais gosto do meu cachorro
Que não se gaba dos dentes
Que não me vende o exílio
Que lambe minhas feridas
Que o mundo vai me deixando
Eu prefiro o silêncio de um pelo peludo
Que não me pergunta nem quer saber
Eu durmo melhor com um par de latidos
Na calçada quebrada eu me perco com frequência
Eu me cago na gente que finge te amar
Se enche a boca de merda barata
O cachorro me olha com cara de doido
Não entende de egos nem sorrisos falsos
Eu acendo um baseado pra voar devagar
Que me leve pra onde não tem barulho
O cachorro me segue mordendo a sombra
E o mundo apodrece sem pedir permissão
Que nojo me dão os filhos da puta de plantão
Brincando de reis em tronos de merda
Que venham de frente
Que ladrem comigo
Que eu tenho um demônio fumando na mão
Que se dane o padre
Que reparta sua merda e reze depois
Eu durmo tranquilo com um baseado na boca
E um cachorro que vale por toda a gente
Meu cachorro me olha e o mundo desmorona
Em seus olhos cabem todas as minhas guerras
E que os homens ladrem, não me importa o barulho
Eu tenho um parceiro com patas e focinho
O noveno da sua alma, não quer perdão
Me lambe as veias
E me empresta calor
Me sobra a gente que finge ser livre
Enquanto beija correntes com cara de santo
Que prega justiça
Que grita palavras e esconde no cu seu próprio fracasso
Eu sigo na esquina
Fumando o tempo
Maldizendo a vida
E sangrando devagar
Quanto mais conheço as pessoas
Mais gosto do meu cachorro que não se gaba dos dentes
Que não me vende o exílio
Que lambe minhas feridas
Que o mundo vai me deixando
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez