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Entre Rejas
LOCURA POÉTICA
Entre Rejas
Entre Rejas
Escuto chaves como correntes do infernoEscucho llaves como cadenas del infierno
Passos lentos pelo túnel do governoPasos lentos por el túnel del gobierno
A luz pisca sobre o concretoLa luz parpadea sobre el hormigón
Me batem contra a paredeMe golpean contra el muro
As noites cheiram a pura dorLas noches huelen a puro dolor
E o silêncio tem cara de terrorY el silencio tiene cara de terror
Mas eu sigoPero sigo
Mesmo que queiram me ver de joelhosAunque quieran verme arrodillado
Sou a sombra que deixaram trancadaSoy la sombra que dejaron encerrada
Um corpo quebrado com a alma acorrentadaUn cuerpo roto con el alma encadenada
Cada grito ecoa na prisãoCada grito rebota en la prisión
Cada ferida alimenta meu coração doenteCada herida alimenta a mi enfermo corazón
E mesmo que minha alma sangre no chãoY aunque sangre mi alma en el suelo
Não vão calar minha vozNo podrán callar mi voz
Não vão matar o que souNo podrán matar lo que soy
E em cada celaY en cada celda
Há um pedaço de verdadeHay un trozo de verdad
Que enterraram sob socos e maldadeQue enterraron bajo golpes y maldad
Me arrancaram a vida a pancadasMe arrancaron la vida a golpes
Me deixaram com o rosto estourado em silêncioMe dejaron la cara reventada en silencio
Sangue na bocaSangre en la boca
Costelas estalando ao respirarCostillas sonando al respirar
E um funcionário rindoY un funcionario riéndose
Enquanto me ouve gritarMientras me oye gritar
As luzes nunca dormem nesse buracoLas luces nunca duermen en este agujero
A umidade gruda igual ao medoLa humedad se pega igual que el miedo
Às vezes falo só pra não enlouquecerA veces hablo solo para no enloquecer
A rua, o sol, um abraço, liberdadeLa calle, el Sol, un abrazo, libertad
Mas aqui a esperança dura menosPero aquí la esperanza dura menos
Que um maldito golpe a maisQue un puto golpe más
Estou apodrecendo, vivo entre cimento frioEstoy pudriéndome, vivo entre cemento frío
Com o ódio cravado dentro do peito vazioCon el odio clavado dentro del pecho vacío
Cada noite é um inferno sem fimCada noche es un infierno sin final
Me deixam jogadoMe dejan tirado
Sangrando sem querer verSangrando sin querer ver
Me meteram em isolamentoMe metieron en aislamiento
Maldita prisão de merdaMaldita cárcel de mierda
Três metros de celaTres metros de celda
E escuridão totalY oscuridad total
Sem saber que dia éSin saber qué día es
Só o barulho da minha raivaSolo el ruido de mi rabia
Batendo em mim de novoPegándome otra vez
Filhos da puta!¡Malditos hijos de puta!
Se divertem vendo sangrar!¡Disfrutan viendo sangrar!
Se divertem vendo gritar!¡Disfrutan viendo gritar!
As ratos comem restos debaixo do meu colchãoLas ratas comen restos bajo mi colchón
Não existe saída, não existe perdãoNo existe salida, no existe perdón
Só grades, ódioSolo barrotes, odio
E essa maldita prisãoY esta maldita prisión
As paladasLas palitas
Os gritosLos gritos
As ameaças, os malditos castigosLas amenazas, los malditos castigos
Me deixaram nu olhando pra paredeMe dejaron desnudo mirando la pared
Horas eternas engolindo sangueHoras eternas tragando sangre
Ouvindo passos se aproximando devagarEscuchando pasos acercarse despacio
Sabia que vinham pra me quebrarSabía que venían a romperme
De novoOtra vez
Em pedaçosEn putos pedazos
Não quero morrer aqui!¡No quiero morir aquí!
Enterrado, vivo!¡Enterrado, vivo!
Não poder sair!¡No poder salir!
Maldita prisão!¡Maldita cárcel!
Malditas grades!¡Malditos barrotes!
Malditas noites!¡Malditas noches!
Sem ar nem horizonte!¡Sin aire ni horizonte!
Só ouço gritosSolo oigo gritos
Explodindo dentro de mimReventando dentro de mí
Aqui, dentro do tempo apodrece a cabeçaAquí, dentro del tiempo te pudre la cabeza
Te transforma em raiva, ódio e tristezaTe convierte en rabia, odio y tristeza
Cada golpe que cai nesse inferno fechadoCada golpe que cae en este infierno cerrado
É um grito que o mundo ignorouEs un grito que el mundo ha ignorado
Cada golpe que cai nesse inferno fechadoCada golpe que cae en este infierno cerrado
É um grito que o mundo ignorouEs un grito que el mundo ha ignorado
Não é loucura, é realidadeNo es locura, es realidad
O que aqui acontece na escuridãoLo que aquí ocurre en la oscuridad
Não há dignidade onde a alma se quebraNo hay dignidad donde el alma se quiebra
Porque essa raiva não morre na celaPorque esta rabia no muere en la celda
Se expande, despertaSe expande, despierta
Atravessa as portasAtraviesa las puertas
Imagino a porta se abrindo de repenteImagino la puerta abriéndose de golpe
O ar batendo no rosto como um renascimentoEl aire golpeando la cara como un renacer
A rua, o barulho, o céu sem gradesLa calle, el ruido, el cielo sin barrotes
E mesmo assim sigo sonhandoY aun así sigo soñando
Em quebrar esses murosCon romper estos muros
A liberdade não é um sonhoLa libertad no es un sueño
É um grito que incomodaEs un grito que molesta
Liberdade!¡Libertad!
Não como palavraNo como palabra
Mas como despertarSino como despertar
E mesmo que me prendam o corpoY aunque me encierren el cuerpo
Não podem prender o que despertaNo pueden encerrar lo que despierta
A liberdade começa quando o silêncio deixa de obedecerLa libertad empieza cuando el silencio deja de obedecer
Não saio daqui só euNo salgo de aquí solo yo
Sai a verdadeSale la verdad
Quebrando o muroRompiendo el muro
Podem fechar a celaPueden cerrar la celda
Podem me quebrar aquiMe pueden romper aquí
Mas não o que despertaPero no que despierta
Não volta a adormecerNo vuelve a dormirse
Hoje sou euHoy soy yo
Amanhã será o sistema que tremeMañana será el sistema el que tiembla
Não é o fim de um presoNo es el fin de un preso
É o começo de um despertarEs el principio de un despertar




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