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ESTA NOCHE CUANDO VENGAN MIS DEMONIOS

LOCURA POÉTICA

Letra

Esta Noite Quando Meus Demônios Chegarem

ESTA NOCHE CUANDO VENGAN MIS DEMONIOS

Esta noite, quando meus demônios chegaremEstá noche, cuando vengan mis demonios
Vou convidá-los a botar fogo no medoLos voy a invitar a prenderle fuego al miedo
Esta noite não respondo por mimEstá noche no respondo de mí
Nem pelos monstros que me escrevem versosNi de los monstruos que me escriben versos

Saio com eles pra quebrar o céuSalgo con ellos a romper el cielo
A escupir pra Deus o que ainda conservoA escupirle a Dios lo que que aún conservo
Se eu me quebrar que seja em pedacinhosSi me rompo que sea en pedacitos
Que encaixem em algum lugar perdidoQue encajen en algún lugar perdido
Esta noiteEstá noche
Ah, ahAh, ah

Esta noite! Não me calo, não me curo, não me importa¡Esta noche! No me callo, no me curo, no me importa
Que o céu estoure se for precisoQue reviente el cielo si hace falta
Que a luz do meu peito quebrado exploda, que já não sintoQue explote la luz de mi pecho roto que ya no siento

Me doem as costelas da almaMe duelen las costillas del alma
De tanto aguentar o grito, ahDe tanto aguantar el grito, ah
Igual me treme o coração de me calarIgual me tiembla el cora de callarme
Me dói a carne de pensar em mimMe duele la carne de pensarme

Os demônios me pedem pra dançarLos demonios, me piden que baile
Com os pés relaxados e os olhos vendadosCon los pies descansos y los ojos vendados
E sabe de uma coisa? Eu faço porque sou mais livre sangrandoY sabes qué? Lo hago porque soy más libre sangrando
Ah, ah, me sobra pele e me faltam asasAh, ah, me sobra piel y me faltan alas

Me sobra mundo e me faltam ganasMe sobra mundo y me faltan ganas
Esta noite arranco a sombra e a penduro em um poste de luzEstá noche me arranco la sombra y la cuelgo en un poste de luz
Me arde a língua de tanto me calarMe arde la lengua de tanto callarme
Me queimam os pés de não fugirMe queman los pies de no huir

Que meus demônios cantem por mimQue mis demonios canten por mi
Que uivem! Que ladrem! Que me acordem os ossos¡Que aullen! ¡Que ladren! Que me despierten los huesos
Que o mundo me doa tudo junto, que não me doa nadaQue el mundo me duela todo junto, que no me duela nada
Se eu me quebrar que não recolham os pesadosSi me rompo que no recojan los pesados
Que os usem pra cravar na consciência delesQue los usen pa' clavar en su conciencia

Aprendi a dormir com os olhos abertosHe aprendido a dormir con los ojos abiertos
A sangrar sem barulho, a beijar com medoA sangrar sin ruido, a besar con miedo
E a rir sem dentes e chega, chega de calar os uivosY a reír sin dientes y basta, basta de callarme los aullidos
Chega de sorrir pro silêncioBasta sonreírle al silencio
Chega de pedir permissão à vida pra existir um poucoBasta de pedir permiso a la vida para existir un poco

Há ruínas dentro de mim que florescemHay ruinas dentro de mi que florecen
Há poemas escritos com febreHay poemas escritos con fiebre
Mas aqui estou nu, quebrado, fodidamente vivoPero aquí estoy desnudo, roto, jodidamente vivo
Os demônios não me levam, eu os levo a elesLos demonios no me llevan, yo los llevo a ellos

Esta noite costurei as pálpebras com fios de pensamentos quebradosEstá noche me cosí los párpados con hilos de pensamientos rotos
Meus demônios não têm chifresMis demonios no tienen cuernos
Têm meu rosto quando estou sozinhoTienen mi cara cuando estoy solo

Eles falam comigo em idiomas que esqueciMe hablan en idiomas que olvidé
E às vezes me acariciam só pra verY a veces me acarician solo para ver
Se ainda sintoSi todavía siento
Tive dias que não existemHe tenido días que no existen
E madrugadas que duraram anosY madrugadas que duraron años
Nem sempre grito, às vezes só fico paradoNo siempre grito, a veces solo me quedo quieto

Sou o refúgio dos meus próprios fantasmasSoy el refugio de mis propios fantasmas
O filho bastardo da calma e do barulhoEl hijo bastardo de la calma y el ruido
O poema que se escreve com saliva amargaEl poema que se escribe con saliva amarga

Os tenho sentados no sofáLos tengo sentados en el sofá
Fumando pensamentos que não quero pensarFumando pensamientos que no quiero pensar
Um me olha com olhos tristesUno me mira con ojos triste
O outro ri como se tudo isso fosse uma comédia sem final felizEl otro se ríe como si todo esto fuera una comedia sin final feliz

E o que fazemos esta noite?¿Y que hacemos está noche?
O de sempre, tentar não nos quebrarLo de siempre, intentar no rompernos
Você não queria voar, sim!Tu no querías volar, si!
Mas sem asas emprestadasPero sin alas prestadas

Tem um que me lembra meus fracassos, toda vez que tento dormirHay uno que me recuerda mis fracasos, cada vez que intento dormir
Outro se encarrega de apagar os sorrisos que alguém me desenhou alguma vezOtro se encarga de borrar las sonrisas que alguien me dibujo alguna vez

E o mais fodido!¡Y el más cabrón!
Me diz que estou melhor assimMe dice que estoy mejor así
Que o vazio me fica bemQue el vacío me queda bien
Às vezes me quero tão poucoA veces me quiero tan poco
Que nem os demônios querem ficarQue ni los demonios quieren quedarse

E quando chega a noiteY cuando llega la noche
Os relógios morremLos relojes se mueren
As paredes respiramLas paredes respiran
E os demônios se sentam na minha cama, pra me contar históriasY los demonios se sientan en mi cama, a contarme cuentos
Com finais que me quebram!Con finales que me rompen!

Quer saber a verdade?¿Quieres la verdad?
Às vezes falo sozinho, pra não esquecer a vozA veces hablo solo, para no olvidarme la voz
Às vezes respiro bem fundo pra ver se a alma escapa e não!A veces respiro muy ondo por si se me escapa el alma y no!
Não quero luz! Quero incêndio! Quero tremorNo quiero luz! Quiero incendio! Quiero temblor
Quero estar vivo!¡Quiero estar estar vivo!

Que se note a ferida nos olhosQue se me note la herida en los ojos
E mesmo assim esta noite!¡Y aún así está noche!
Vou dançar com meus demôniosVoy a bailar con mis demonios
Até que o medo durmaHasta que el miedo se duerma
Até que o barulho se apagueHasta que el ruido se apague
Até que a alma canseHasta que el alma se canse


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