GRAMO DE ABSTINENCIA
Siente, como te araño por dentro
Me gusta verte así, doblado
Buscando en el vacío
Un rastro de esa paz que te miente
Qué puto asco de debilidad
Y qué gloria sentir como te rindes ante mí
Una y otra vez, mientras me pides que pare
Me ruegas que empiece
Ah, mírame bien a los ojos
Si es que todavía aún encuentras
Dónde clavar la vista
Estoy aquí, negociando
Negociando con los girones de tu cordura
Vendiendo tus minutos al mejor postor del infierno
¿Qué me vas a ofrecer hoy
Si ya no te queda nada que no sea mío?
Negociamos tú y yo
En este rincón donde la luz no se atreve a entrar
Donde el tiempo se detiene
Haber cómo te termina
Se desmorona, ah
Siente el crujido, ¿lo oyes?
Es tu alma que se estira
Para no terminar de soltarse
Pero yo tiro más fuerte
Yo soy el que conoce el punto exacto
Donde te quiebras
Dentro de tus remiendos
Me visto con tu dolor
No hables con tu puto corazón
Que ese pobre ya solo sabe
Pedir clemencia
Háblame a mí, que soy el único
Que te va a acompañar hasta el último suspiro
El que te da la experiencia
Para que escribas con la tinta de tu propia ruina
Oh, me llamas
Cuando sabes que soy el único
Que nunca te va a dejar tirado
Porque yo soy tu sombra
Soy tu sudor, soy tu maldición y tu alivio
Mírame, mírame
Desde el fondo de ese pozo
Notas cómo se tensa el hilo de tus remiendos
Casi puedo oír cómo ceden las costuras de tu voluntad
Soy el que te sopla al oído
Los versos que te arrancan la piel
Esa experiencia maldita que vendes como arte
Mientras yo te vendo a ti
Por un gramo de abstinencia (joder)
Soy el que te empuja a ese callejón de sombras
Sigue arañando el fango, que allí es donde mejor te expresas
Allí, donde los remiendos se empapan de ese sudor de hielo
Me encanta cuando te crees que vas a escapar
Soy yo, el dueño de cada una de tus grietas
El que te hace sangrar poemas
Para que el mundo crea que eres libre
Mientras yo te aprieto la soga, un poquito más
(¿A quién vas a pedir ayuda ahora?)
No te queda ni un rincón
Que no te huela a mi presencia
Sigue, esclavo, sigue gritando en silencio
Que mientras tú te rompes, yo me hago más fuerte
No busques la salida, que la puerta la tengo yo
Y me gusta demasiado ver cómo te retuerces
Intentando encontrar la llave en el vacío
Mírame, mírame a la puta cara
No hay salida porque yo soy el laberinto
Retuércete más
Que el dolor sea ese gramo de abstinencia
No intentes despegarte de mí, pedazo de nada
Que ya no hay piel donde no haya entrado mi garra
Somos el mismo perro lamiendo la misma herida
El mismo nudo apretando la misma garganta
Se acabó la charla, se acabó la tregua
Siente cómo te arrastro al rincón
Donde no llega el aire
Donde tu gramo de abstinencia
Es el único Sol que brilla
Pues abrázame fuerte
Que en este viaje de sombras
Soy lo único que te queda
Soy tu dueño, soy tu rastro, soy tu fin, ah
Soy tu dueño, soy tu rastro, soy tu fin
Soy lo único que te queda
Abrázame más fuerte
GRAMO DE ABSTINÊNCIA
Sente, como eu te arranho por dentro
Gosto de te ver assim, quebrado
Buscando no vazio
Um rastro daquela paz que te engana
Que puto nojo de fraqueza
E que glória sentir como você se rende a mim
Uma e outra vez, enquanto me pede pra parar
Me implora pra eu começar
Ah, olhe bem nos meus olhos
Se é que ainda encontra
Onde cravar o olhar
Estou aqui, negociando
Negociando com os pedaços da sua sanidade
Vendendo seus minutos pro melhor lance do inferno
O que você vai me oferecer hoje
Se não te resta nada que não seja meu?
Negociamos você e eu
Neste canto onde a luz não se atreve a entrar
Onde o tempo para
Vamos ver como isso termina
Desmorona, ah
Sente o estalo, você ouve?
É sua alma se esticando
Pra não se soltar de vez
Mas eu puxo mais forte
Eu sou quem conhece o ponto exato
Onde você se quebra
Dentro dos seus remendos
Me visto com sua dor
Não fale com seu puto coração
Que esse coitado só sabe
Pedir clemência
Fale comigo, que sou o único
Que vai te acompanhar até o último suspiro
Aquele que te dá a experiência
Pra você escrever com a tinta da sua própria ruína
Oh, você me chama
Quando sabe que sou o único
Que nunca vai te deixar na mão
Porque eu sou sua sombra
Sou seu suor, sou sua maldição e seu alívio
Olhe pra mim, olhe pra mim
Do fundo desse poço
Sente como o fio dos seus remendos se tensiona
Quase posso ouvir como as costuras da sua vontade cedem
Sou eu quem te sussurra ao ouvido
Os versos que arrancam sua pele
Essa experiência maldita que você vende como arte
Enquanto eu te vendo
Por um gramo de abstinência (caralho)
Sou eu quem te empurra pra esse beco de sombras
Continue arranhando a lama, é lá que você se expressa melhor
Lá, onde os remendos se embebem desse suor gelado
Adoro quando você acha que vai escapar
Sou eu, o dono de cada uma das suas fissuras
Aquele que faz você sangrar poemas
Pra que o mundo acredite que você é livre
Enquanto eu aperto a corda, um pouquinho mais
(Quem você vai pedir ajuda agora?)
Não te resta nem um canto
Que não tenha o cheiro da minha presença
Continue, escravo, continue gritando em silêncio
Que enquanto você se quebra, eu fico mais forte
Não procure a saída, que a porta sou eu quem tem
E eu gosto demais de ver como você se contorce
Tentando encontrar a chave no vazio
Olhe pra mim, olhe pra minha cara
Não há saída porque eu sou o labirinto
Contorça-se mais
Que a dor seja esse gramo de abstinência
Não tente se desgrudar de mim, pedaço de nada
Que já não há pele onde minha garra não tenha entrado
Somos o mesmo cachorro lambendo a mesma ferida
O mesmo nó apertando a mesma garganta
Acabou a conversa, acabou a trégua
Sente como eu te arrasto pro canto
Onde o ar não chega
Onde seu gramo de abstinência
É o único Sol que brilha
Então me abrace forte
Que nesta viagem de sombras
Sou a única coisa que te resta
Sou seu dono, sou seu rastro, sou seu fim, ah
Sou seu dono, sou seu rastro, sou seu fim
Sou a única coisa que te resta
Me abrace mais forte
Composição: Locura Poética, Jaime Jose Cerda Fernandez