Hoy No Estoy Bien
Hoy no estoy bien
Y no pasa nada
Pero pasa todo
Por dentro
La cabeza va llena
Como un cuarto sin ventanas
Pensamientos que no avisan
Que no piden permiso
Que no buscan solución
No quiero hablar con nadie
Porque tendría que traducirme
Y ahora mismo
No me entiendo ni yo
Me cruzan ideas raras
No peligrosas
Pero insistentes
De esas que te piden silencio
Y un sitio donde no explicar nada
Hay una presión rara
Como si algo quisiera salir
Y no encontrará por dónde
No es tristeza exacta
No es rabia pura
Es mezcla
Necesito estar solo un rato
No por rechazo
Sino para no romper nada
Hablando de más
Me observo desde fuera
Y no me reconozco del todo
No es drama
Es saturación
Me canso de pensar
Y me canso de no pensar
Me canso de repetir errores que reconozco
Mientras los hago
Me agarro a cosas pequeñas
Para no caer del todo
Gestos, manías
Hábitos que no arreglan nada
Pero mantienen el pulso
A veces me doy asco
A veces me doy pena
A veces me miro con lucidez
Y eso es lo peor
Soy consciente de todo lo que no hago
De todo lo que dejo pasar
Por no complicarme
Por no quedarme solo
Por puro agotamiento
Hay una lucha discreta
Entre lo que siento y lo que se supone
Que debería sentir
Y aun así no quiero convertirme en alguien que mira y sigue
Eso me aterra más que estar mal
Hay momentos en los que la cabeza acelera y todo se mezcla
Deseo, culpa, cansancio, ganas de romper algo, aunque sea por dentro
Porque cuando hablo
Finjo equilibrio
Y hoy no lo tengo
No quiero consejos
Ni frases sutiles
Ni que esto pase rápido
Quiero atravesarlo sin anestesia
Aunque incomode
Sé que mañana seguiré funcionando como siempre
Pero hoy no me da la gana
De fingir fortaleza
Hoy solo quiero dejar que salga todo lo que aprieta
Todo lo que no digo
Todo lo que soy
Cuando nadie mira
Y quedarme aquí un rato
Respirando dentro del caos
Sin arreglarlo, sin justificarlo
Porque a veces aguantar
También es una forma de conciencia
Hoje Não Estou Bem
Hoje não estou bem
E não tem problema
Mas acontece tudo
Por dentro
A cabeça tá cheia
Como um quarto sem janelas
Pensamentos que não avisam
Que não pedem licença
Que não buscam solução
Não quero falar com ninguém
Porque teria que me traduzir
E agora mesmo
Nem eu me entendo
Me cruzam ideias estranhas
Não perigosas
Mas insistentes
Daquelas que pedem silêncio
E um lugar onde não explicar nada
Tem uma pressão estranha
Como se algo quisesse sair
E não encontra por onde
Não é tristeza exata
Não é raiva pura
É mistura
Preciso ficar sozinho um tempo
Não por rejeição
Mas pra não quebrar nada
Falando demais
Me observo de fora
E não me reconheço totalmente
Não é drama
É saturação
Canso de pensar
E canso de não pensar
Canso de repetir erros que reconheço
Enquanto os cometo
Me agarro a coisas pequenas
Pra não cair de vez
Gestos, manias
Hábitos que não resolvem nada
Mas mantêm o pulso
Às vezes me dou nojo
Às vezes me dou pena
Às vezes me olho com clareza
E isso é o pior
Estou ciente de tudo que não faço
De tudo que deixo passar
Pra não me complicar
Pra não ficar sozinho
Por puro cansaço
Tem uma luta discreta
Entre o que sinto e o que se espera
Que eu deveria sentir
E mesmo assim não quero me tornar alguém que observa e segue
Isso me apavora mais do que estar mal
Tem momentos em que a cabeça acelera e tudo se mistura
Desejo, culpa, cansaço, vontade de quebrar algo, mesmo que por dentro
Porque quando falo
Finjo equilíbrio
E hoje não tenho
Não quero conselhos
Nem frases sutis
Nem que isso passe rápido
Quero atravessar isso sem anestesia
Mesmo que incomode
Sei que amanhã vou continuar funcionando como sempre
Mas hoje não tô a fim
De fingir força
Hoje só quero deixar sair tudo que aperta
Tudo que não digo
Tudo que sou
Quando ninguém vê
E ficar aqui um tempo
Respirando dentro do caos
Sem consertar, sem justificar
Porque às vezes aguentar
Também é uma forma de consciência
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez