Inframundo
Aquí dentro no hay aire limpio
Solo un nudo que aprieta y no suelta
Un latido sucio golpeando paredes
Como si quisiera romperme por dentro
Abajo
Donde no entra el día
Todo gira lento dentro de mi cabeza
Como si el tiempo dudara en seguirme
Donde cada paso se hunde en lo mismo
Tengo un reino oscuro latiendo en el pecho
Me habla en gritos que no puedo callar
Me pide rendirme, quedarme en el suelo
Me vende descanso que no es descansar
Yo mismo me pierdo
Me busco y no estoy
Me rompo en pedazos que vuelvo a juntar
Pero algo invisible me empuja hacia abajo
Y borra el camino si intento escapar
La noche se instala detrás de mis ojos
Aunque el mundo afuera quiera brillar
Y llevo un silencio clavado en la boca
Que grita sin ruido por no despertar
Mis manos conocen senderos prohibidos
Mis pasos repiten la misma espiral
Abajo respiro con fuego en la sangre
Un peso invisible me clava en el sitio
Todo por dentro me ruge y me aprieta
Como si yo mismo fuera mi puto enemigo
No es solo caída, es guerra constante
Un grito atrapado que pide salida
Rabia que crece mordiendo mi alma
Hambre de algo que nunca termina
Me vendo mentiras con forma de alivio
Me abrazo a la nada creyendo ganar
Pero cada intento me arranca más fuerza
Y me deja más lejos de poder parar
Tengo una mierda de vacío
Que no se sacia
Un tirón profundo que no sabe mandar
Y aunque me prometa romper la cadena
Hay algo en la sombra que me vuelve a atar
Este inframundo te come despacio
Y borra tu nombre sin preguntar
Si alguien escucha lo que estoy diciendo
Que mire de frente, que no quiera huir
Hay pozos que llaman con voz muy suave
Y cuando te tienen no te dejan salir
Yo sigo aquí abajo luchando en la niebla
Con algo muy débil que quiere vivir
Y aunque todo empuje hacia lo más hondo
Aún queda rabia para resistir
Inframundo
Aqui dentro não tem ar limpo
Só um nó que aperta e não solta
Um batimento sujo batendo nas paredes
Como se quisesse me romper por dentro
Abaixo
Onde o dia não entra
Tudo gira devagar dentro da minha cabeça
Como se o tempo hesitasse em me seguir
Onde cada passo afunda na mesma coisa
Tenho um reino escuro pulsando no peito
Ele fala em gritos que não consigo calar
Me pede pra desistir, ficar no chão
Me vende descanso que não é descansar
Eu mesmo me perco
Me procuro e não estou
Me quebro em pedaços que volto a juntar
Mas algo invisível me empurra pra baixo
E apaga o caminho se eu tento escapar
A noite se instala atrás dos meus olhos
Embora o mundo lá fora queira brilhar
E carrego um silêncio cravado na boca
Que grita sem barulho pra não acordar
Minhas mãos conhecem caminhos proibidos
Meus passos repetem a mesma espiral
Abaixo respiro com fogo na veia
Um peso invisível me crava no lugar
Tudo por dentro ruge e aperta
Como se eu mesmo fosse meu puto inimigo
Não é só queda, é guerra constante
Um grito preso que pede saída
Raiva que cresce mordendo minha alma
Fome de algo que nunca acaba
Me vendo mentiras com forma de alívio
Me abraço à nada acreditando ganhar
Mas cada tentativa arranca mais força
E me deixa mais longe de poder parar
Tenho um vazio do caralho
Que não se sacia
Um puxão profundo que não sabe mandar
E embora me prometa quebrar a corrente
Tem algo na sombra que me volta a amarrar
Esse inframundo te devora devagar
E apaga seu nome sem perguntar
Se alguém escuta o que estou dizendo
Que olhe de frente, que não queira fugir
Há poços que chamam com voz bem suave
E quando te pegam não te deixam sair
Eu sigo aqui embaixo lutando na névoa
Com algo muito fraco que quer viver
E embora tudo empurre pra mais fundo
Ainda resta raiva pra resistir
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez