Mis Flores y Mis Grietas
Aquí me tienes
Rodeado de este mar de pétalos rojos
Con el veneno de las flores
Gritando verdades prohibidas
Mientras la tierra se abre
Para curar mis huidas
Ya no queda rincón en mi piel
Que no sepa derrotar
Viendo como la vida se escurre
Gota por gota
Y yo mirando fijo ese derrumbe lento
Muy lento
Tengo un incendio
Viviendo debajo del alma
Una guerra sin gritos
Pero siempre empezada
Un latido que empuja
Como queriendo salir
Y yo haciéndome el sordo
Dejándome morir
No pises mi hierba
Mejor deja que el humo te lleve
Donde el tiempo se para
Y el corazón ya no se atreve
No se atreve
He aprendido a perderme
A romperme en silencio
Despacio, muy despacio
Y la rabia se duerme
La culpa se arrodilla
Me da rabia
Vivir así
Ser un cuerpo que aguanta
Y una mente que cede
Mientras por dentro todo se rompe
Algo que no habla, pero ordena
Algo que decide por mí
Y a mis espaldas el diablo levanta su mano gigante
Vigilando que el ritmo
No deje de ser asfixiante
Soy el rey de este prado
Donde la sangre se hace polen
Dejando que los miedos
Y las penas se descontrolen
Y la rabia no grita
Se acumula
Se hace piedra en mitad del pecho
Me convierte en testigo de mí mismo
Sin poder hacer nada al respecto
Y lo peor no es caer ni romperse
Es saberlo todo mientras ocurre
Y no tener un sitio
Donde esconderlo
Eso es lo que duele de verdad
No el daño, no el golpe, no el fondo
Sino verme
Despierto en lo más hondo
Sabiendo cada paso, cada caída
Repitiendo la escena ya conocida
Sigo buscando un acordé que sangre
Perdido por rutas que tú no imaginas
Para calmar a la bestia
Para saciar este puto hambre
Yo me quedo aquí abajo
Con mis flores y mis grietas
Masticando el tallo amargo
De esta flor que me domina
Y aquí sigo
Siendo el dueño de mi propio dolor
Pero mientras me hundo en este mar de pétalos y ruido
¿De qué me sirve el aire
Si no me atrevo a quemarme?
¿De qué me sirven los ojos si solo sirven para cegarme?
¿De qué me sirve el grito si lo hago antes de salir?
Porque debajo de todo este puto ruido
Hay algo que no he podido romper
Y eso es lo que me jode
Lo que no me deja caer del todo
Que incluso hundido hasta el cuello
Sigo sintiendo ese fondo
Ese fondo que empuja
Que no acepta el destierro
Cada maldito día
Peleo conmigo en silencio
Con las manos manchadas de intentos
Que no puedo sostener
Y camino en círculos cerrados
Con la mente girando al revés
Repitiendo los mismos pecados
Que juré no volver a hacer
Minhas Flores e Minhas Fissuras
Aqui estou
Rodeado por este mar de pétalas vermelhas
Com o veneno das flores
Gritando verdades proibidas
Enquanto a terra se abre
Para curar minhas fugas
Já não sobra canto na minha pele
Que não saiba derrotar
Vendo como a vida escorrega
Gota por gota
E eu olhando fixo esse desmoronamento lento
Muito lento
Tenho um incêndio
Vivendo debaixo da alma
Uma guerra sem gritos
Mas sempre começada
Um batimento que empurra
Como querendo sair
E eu fazendo de conta que não ouço
Deixando-me morrer
Não pise na minha grama
Melhor deixa que a fumaça te leve
Pra onde o tempo para
E o coração já não se atreve
Não se atreve
Aprendi a me perder
A me quebrar em silêncio
Devagar, muito devagar
E a raiva adormece
A culpa se ajoelha
Me dá raiva
Viver assim
Ser um corpo que aguenta
E uma mente que cede
Enquanto por dentro tudo se despedaça
Algo que não fala, mas ordena
Algo que decide por mim
E às minhas costas o diabo levanta sua mão gigante
Vigilando para que o ritmo
Não deixe de ser sufocante
Sou o rei deste prado
Onde o sangue se torna pólen
Deixando que os medos
E as dores se descontrolam
E a raiva não grita
Se acumula
Se torna pedra no meio do peito
Me transforma em testemunha de mim mesmo
Sem poder fazer nada a respeito
E o pior não é cair nem se quebrar
É saber de tudo enquanto acontece
E não ter um lugar
Onde esconder isso
Isso é o que dói de verdade
Não a dor, não o golpe, não o fundo
Mas me ver
Desperto no mais profundo
Sabendo cada passo, cada queda
Repetindo a cena já conhecida
Continuo buscando um acorde que sangre
Perdido por rotas que você não imagina
Para acalmar a besta
Para saciar essa porra de fome
Eu fico aqui embaixo
Com minhas flores e minhas fissuras
Mastigando o talo amargo
Dessa flor que me domina
E aqui sigo
Sendo o dono da minha própria dor
Mas enquanto me afundo neste mar de pétalas e barulho
De que me serve o ar
Se não me atrevo a me queimar?
De que me servem os olhos se só servem para me cegar?
De que me serve o grito se eu faço antes de sair?
Porque debaixo de todo esse puto barulho
Há algo que não consegui quebrar
E isso é o que me fode
O que não me deixa cair de vez
Que mesmo afundado até o pescoço
Continuo sentindo esse fundo
Esse fundo que empurra
Que não aceita o desterro
Todo maldito dia
Luto comigo em silêncio
Com as mãos manchadas de tentativas
Que não consigo sustentar
E caminho em círculos fechados
Com a mente girando ao contrário
Repetindo os mesmos pecados
Que jurei não voltar a cometer
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez