No Me Salvé
Yo quise huir
De la herida abierta
Quise ser aire
Quise no estar
Me prometí un infierno que no ardiera
Y vendí el alma por un rato de calma
Y le puse alas rotas
A lo que fui
Quise cambiar de piel, de costumbre
Quitarme las ganas a base de aguantar
Pero el cuerpo recuerda lo que quiere
Y no pregunta si está mal
No me salve, no fui valiente
No quise pedir
No supe dar
Me hice pequeño para caber
En el mismo lugar
Sali a buscarme y no volví conmigo
Me deje tirado en cualquier rincón
Dije mañana tantas veces seguidas
Que el día se arto de mi
Cargo los restos de lo que quise
Como quien guarda polvo en la voz
Me pesa el cuerpo
Me pesa la cabeza
Me pesa decir que no
Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh
No me salve y no fue por falta de guerra
Fue por cansarme de pelear
Hay derrotas que se firman despacio
Mientras dices que todo va igual
He sido fuego pidiendo lluvia
He sido calma queriendo temblar
Me he dicho esta es la última vez
Más veces de las que puedo contar
No me salve y tampoco corrí
Me quede quieto viendo pasar
Como si hundirme fuera descanso
Y no otra forma de terminar
Pero a veces, muy pocas veces
Algo se mueve sin hacer ruido
No es esperanza, no es luz, no es nada
Es no querer seguir así
Con eso tiro
Con eso ando
Con eso intento no repetir
Si doy dos pasos sin mirar atrás
No digas nunca que fue sencillo
Fue aprender a no volver
Al mismo lugar
No me salve
Lo digo claro
No vine a fingir
Que todo está bien
Vengo a decir que sigo vivo
Aunque no sepa muy bien porque
Y si me caigo otra vez que sea andando
No de rodillas pidiendo perdón
Que ya me arte de firmar con la nada
Y tratando de estar mejor
No me salve
Pero sigo de pie
Con lo que queda
Con lo que hay
Solo no quiero volver atrás
Que se me note cuando me canse
Que se me note si digo basta
Que no me encuentre donde jure
Que no volvía jamás
Y si te suena a despedida
Que no lo sea y que sea verdad
No todo el que sigue
Aprendió a escapar
Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh
No me salve
No fue mala suerte
Fue repetir lo que sé que me hunde
Fue decir luego cuando era ahora
Fue a acostumbrarme a que toda duela
No me salve por miedo a cambiar
Por no pedir cuando hacía falta
Por hacer fuerte lo que me rompe
Y débil lo que me podía sacar
No me salve porque no quise
Porque el cansancio pudo más
Porque elegí lo que me mata
Antes que aprender a caminar
Hoy no prometo hacerlo bien
Solo prometo no hacer lo mismo
Darle una puerta a lo que duele
Antes de volver a elegirlo
No me salve y no me disculpo
Ya me cansé de justificar
Nadie me puso esta condena
Yo mismo la volví a firmar
Pero hoy no trago con lo de siempre
Hoy no me pienso quedar igual
Si voy a caer que sea luchando
No dormido en el mismo mal
Não Me Salve
Eu quis fugir
Da ferida aberta
Quis ser ar
Quis não estar
Prometi um inferno que não queimasse
E vendi a alma por um pouco de calma
E coloquei asas quebradas
No que eu fui
Quis mudar de pele, de hábito
Me livrar das vontades a base de aguentar
Mas o corpo lembra do que quer
E não pergunta se tá errado
Não me salve, não fui valente
Não quis pedir
Não soube dar
Me fiz pequeno pra caber
No mesmo lugar
Saí à minha procura e não voltei comigo
Me deixei jogado em qualquer canto
Disse amanhã tantas vezes seguidas
Que o dia se cansou de mim
Carrego os restos do que quis
Como quem guarda poeira na voz
Me pesa o corpo
Me pesa a cabeça
Me pesa dizer que não
Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh
Não me salve e não foi por falta de guerra
Foi por me cansar de lutar
Há derrotas que se assinam devagar
Enquanto você diz que tudo tá igual
Fui fogo pedindo chuva
Fui calma querendo tremer
Me disse que essa é a última vez
Mais vezes do que consigo contar
Não me salve e também não corri
Fiquei parado vendo passar
Como se afundar fosse descanso
E não outra forma de acabar
Mas às vezes, muito raras vezes
Algo se move sem fazer barulho
Não é esperança, não é luz, não é nada
É não querer continuar assim
Com isso eu sigo
Com isso eu ando
Com isso eu tento não repetir
Se eu der dois passos sem olhar pra trás
Não diga nunca que foi fácil
Foi aprender a não voltar
Pro mesmo lugar
Não me salve
Digo claro
Não vim pra fingir
Que tá tudo bem
Vim pra dizer que sigo vivo
Embora não saiba muito bem por quê
E se eu cair de novo que seja andando
Não de joelhos pedindo perdão
Porque já me cansei de assinar com o nada
E tentando estar melhor
Não me salve
Mas sigo de pé
Com o que resta
Com o que há
Só não quero voltar atrás
Que se note quando eu me cansar
Que se note se eu disser basta
Que não me encontre onde jurei
Que não voltaria jamais
E se soar como despedida
Que não seja e que seja verdade
Nem todo que continua
Aprendeu a escapar
Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh
Não me salve
Não foi azar
Foi repetir o que sei que me afunda
Foi dizer depois quando era agora
Foi me acostumar a que tudo doa
Não me salve por medo de mudar
Por não pedir quando era necessário
Por fazer forte o que me quebra
E fraco o que poderia me tirar
Não me salve porque não quis
Porque o cansaço pôde mais
Porque escolhi o que me mata
Antes de aprender a caminhar
Hoje não prometo fazer certo
Só prometo não fazer o mesmo
Dar uma porta pro que dói
Antes de voltar a escolhê-lo
Não me salve e não me desculpo
Já me cansei de justificar
Ninguém me impôs essa condena
Eu mesmo a voltei a assinar
Mas hoje não engulo o mesmo de sempre
Hoje não quero ficar igual
Se eu vou cair que seja lutando
Não dormindo no mesmo mal
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez