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Não Me Salve

LOCURA POÉTICA

No Me Salvé

Yo quise huir
De la herida abierta
Quise ser aire
Quise no estar

Me prometí un infierno que no ardiera
Y vendí el alma por un rato de calma
Y le puse alas rotas
A lo que fui

Quise cambiar de piel, de costumbre
Quitarme las ganas a base de aguantar
Pero el cuerpo recuerda lo que quiere
Y no pregunta si está mal

No me salve, no fui valiente
No quise pedir
No supe dar
Me hice pequeño para caber
En el mismo lugar

Sali a buscarme y no volví conmigo
Me deje tirado en cualquier rincón
Dije mañana tantas veces seguidas
Que el día se arto de mi

Cargo los restos de lo que quise
Como quien guarda polvo en la voz
Me pesa el cuerpo
Me pesa la cabeza
Me pesa decir que no

Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh

No me salve y no fue por falta de guerra
Fue por cansarme de pelear
Hay derrotas que se firman despacio
Mientras dices que todo va igual

He sido fuego pidiendo lluvia
He sido calma queriendo temblar
Me he dicho esta es la última vez
Más veces de las que puedo contar

No me salve y tampoco corrí
Me quede quieto viendo pasar
Como si hundirme fuera descanso
Y no otra forma de terminar

Pero a veces, muy pocas veces
Algo se mueve sin hacer ruido
No es esperanza, no es luz, no es nada
Es no querer seguir así

Con eso tiro
Con eso ando
Con eso intento no repetir

Si doy dos pasos sin mirar atrás
No digas nunca que fue sencillo
Fue aprender a no volver
Al mismo lugar

No me salve
Lo digo claro
No vine a fingir
Que todo está bien

Vengo a decir que sigo vivo
Aunque no sepa muy bien porque

Y si me caigo otra vez que sea andando
No de rodillas pidiendo perdón
Que ya me arte de firmar con la nada
Y tratando de estar mejor

No me salve
Pero sigo de pie
Con lo que queda
Con lo que hay
Solo no quiero volver atrás

Que se me note cuando me canse
Que se me note si digo basta
Que no me encuentre donde jure
Que no volvía jamás

Y si te suena a despedida
Que no lo sea y que sea verdad
No todo el que sigue
Aprendió a escapar

Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh

No me salve
No fue mala suerte
Fue repetir lo que sé que me hunde
Fue decir luego cuando era ahora
Fue a acostumbrarme a que toda duela
No me salve por miedo a cambiar
Por no pedir cuando hacía falta
Por hacer fuerte lo que me rompe
Y débil lo que me podía sacar

No me salve porque no quise
Porque el cansancio pudo más
Porque elegí lo que me mata
Antes que aprender a caminar

Hoy no prometo hacerlo bien
Solo prometo no hacer lo mismo
Darle una puerta a lo que duele
Antes de volver a elegirlo

No me salve y no me disculpo
Ya me cansé de justificar
Nadie me puso esta condena
Yo mismo la volví a firmar

Pero hoy no trago con lo de siempre
Hoy no me pienso quedar igual
Si voy a caer que sea luchando
No dormido en el mismo mal

Não Me Salve

Eu quis fugir
Da ferida aberta
Quis ser ar
Quis não estar

Prometi um inferno que não queimasse
E vendi a alma por um pouco de calma
E coloquei asas quebradas
No que eu fui

Quis mudar de pele, de hábito
Me livrar das vontades a base de aguentar
Mas o corpo lembra do que quer
E não pergunta se tá errado

Não me salve, não fui valente
Não quis pedir
Não soube dar
Me fiz pequeno pra caber
No mesmo lugar

Saí à minha procura e não voltei comigo
Me deixei jogado em qualquer canto
Disse amanhã tantas vezes seguidas
Que o dia se cansou de mim

Carrego os restos do que quis
Como quem guarda poeira na voz
Me pesa o corpo
Me pesa a cabeça
Me pesa dizer que não

Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh

Não me salve e não foi por falta de guerra
Foi por me cansar de lutar
Há derrotas que se assinam devagar
Enquanto você diz que tudo tá igual

Fui fogo pedindo chuva
Fui calma querendo tremer
Me disse que essa é a última vez
Mais vezes do que consigo contar

Não me salve e também não corri
Fiquei parado vendo passar
Como se afundar fosse descanso
E não outra forma de acabar

Mas às vezes, muito raras vezes
Algo se move sem fazer barulho
Não é esperança, não é luz, não é nada
É não querer continuar assim

Com isso eu sigo
Com isso eu ando
Com isso eu tento não repetir

Se eu der dois passos sem olhar pra trás
Não diga nunca que foi fácil
Foi aprender a não voltar
Pro mesmo lugar

Não me salve
Digo claro
Não vim pra fingir
Que tá tudo bem

Vim pra dizer que sigo vivo
Embora não saiba muito bem por quê

E se eu cair de novo que seja andando
Não de joelhos pedindo perdão
Porque já me cansei de assinar com o nada
E tentando estar melhor

Não me salve
Mas sigo de pé
Com o que resta
Com o que há
Só não quero voltar atrás

Que se note quando eu me cansar
Que se note se eu disser basta
Que não me encontre onde jurei
Que não voltaria jamais

E se soar como despedida
Que não seja e que seja verdade
Nem todo que continua
Aprendeu a escapar

Ah, ah, ah, oh
Ah, ah, ah, oh

Não me salve
Não foi azar
Foi repetir o que sei que me afunda
Foi dizer depois quando era agora
Foi me acostumar a que tudo doa
Não me salve por medo de mudar
Por não pedir quando era necessário
Por fazer forte o que me quebra
E fraco o que poderia me tirar

Não me salve porque não quis
Porque o cansaço pôde mais
Porque escolhi o que me mata
Antes de aprender a caminhar

Hoje não prometo fazer certo
Só prometo não fazer o mesmo
Dar uma porta pro que dói
Antes de voltar a escolhê-lo

Não me salve e não me desculpo
Já me cansei de justificar
Ninguém me impôs essa condena
Eu mesmo a voltei a assinar

Mas hoje não engulo o mesmo de sempre
Hoje não quero ficar igual
Se eu vou cair que seja lutando
Não dormindo no mesmo mal

Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez