por un jardín muerto
Despacio
Que no llegó
Que voy arrastrando el alma por el suelo
Como un perro sin nombre
Que se ha quedado sin dueño
Que se me escapa el aire
Entre los dientes de esta maldita madrugada
Y el mundo me mastica
Como si no valiera nada
He rebuscado en los cajones de mi memoria
Como un ladrón que vuelve al mismo bar
Y solo encontré mis viejas glorias
Borrachas de tanto recordar
Me bebo el veneno para ver si me despierto
Porque llevo media vida
Paseando por un jardín muerto
Si muerto, muerto
Dejame fuera
Que dentro hace falta aire
Que la verdad se asfixia
Entre mentiras que nadie se atreve a romper
Y yo tragando saliva para no gritar lo que veo
Mientras reparten silencio
Como si fuera consuelo
Pero hoy se me rompe el pecho
Como una botella contra el suelo
Y brindo por los locos
Que todavía creen en el fuego
Porque aún me late algo
Debajo de tanta ruina
Un latido terco golpeando contra el pecho
Como diciendo
No naciste para pudrirte en silencio
Y salgo a la calle lleno de preguntas
Mientras el mundo sigue girando
Como si nadie escuchara los que gritan
No vine a este mundo a aprender a obedecer
Vine a prenderle fuego
A las preguntas que nadie quiere hacer
Y si algún día me pierdo
Entre el polvo de esta tierra
Que brote una mala hierba
Donde caiga mi puta conciencia
Porque las malas hierbas
No piden permiso al suelo
Rompen el cemento
Y vuelven a nacer
por um jardim morto
Devagar
Que não chegou
Que vou arrastando a alma pelo chão
Como um cachorro sem nome
Que ficou sem dono
Que o ar me escapa
Entre os dentes dessa maldita madrugada
E o mundo me mastiga
Como se eu não valesse nada
Revirei as gavetas da minha memória
Como um ladrão que volta ao mesmo bar
E só encontrei minhas velhas glórias
Bêbadas de tanto recordar
Bebo o veneno pra ver se acordo
Porque já faz meia vida
Passeando por um jardim morto
Se morto, morto
Me deixe fora
Que dentro falta ar
Que a verdade se asfixia
Entre mentiras que ninguém se atreve a quebrar
E eu engolindo seco pra não gritar o que vejo
Enquanto distribuem silêncio
Como se fosse consolo
Mas hoje meu peito se rompe
Como uma garrafa contra o chão
E brindo pelos loucos
Que ainda acreditam no fogo
Porque ainda bate algo
Debaixo de tanta ruína
Um batimento teimoso batendo contra o peito
Como se dissesse
Você não nasceu pra apodrecer em silêncio
E saio pra rua cheio de perguntas
Enquanto o mundo continua girando
Como se ninguém ouvisse os que gritam
Não vim a este mundo pra aprender a obedecer
Vim pra botar fogo
Nas perguntas que ninguém quer fazer
E se algum dia eu me perder
Entre a poeira dessa terra
Que brote uma erva daninha
Onde cair minha puta consciência
Porque as ervas daninhas
Não pedem permissão ao chão
Rompe o cimento
E voltam a nascer
Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez