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Siete Llaves

LOCURA POÉTICA

Letra

Sete Chaves

Siete Llaves

Fechei a porta com sete chavesHe cerrado la puerta con siete llaves
Mas não para que não entremPero no para que no entren
E sim para não sairSino para no salir
Que o mundo lá fora vai rápido e não sabe que pra viajar longeQue fuera el mundo va deprisa y no sabe que para viajar lejos
Não precisa fugirNo hace falta huir
Me sentei no chão pra ver como o Sol morde a esquina do colchãoMe he sentado en el suelo a ver cómo el Sol muerde la esquina del colchón
E vi que minha mente é uma jaulaY he visto que mi mente es una jaula
Que se abre por dentro se eu der razãoQue se abre por dentro si le doy la razón

Tirei as tralhas que já não me servemHe sacado los trastos que ya no me sirven
Os medos de ontem e as culpas do passadoLos miedos de ayer y las culpas de antaño
Que as veias se inchemQue las venas se hinchen
E que as ideias fervamY que las ideas hiervan
Que não há nada mais doceQue no hay nada más dulce
Que se fazer esse danoQue hacerse este daño

Voo baixinho roçando as floresVuelo bajito rozando las flores
E me jogo com a alma encharcadaY me lanzo con el alma empapada
Pra navegar por esse campo de papoulasA navegar por ese campo de amapolas
Curtindo o maldito veneno deste momentoDisfrutando el puto veneno de este momento
De me sentir tão vivoDe sentirme tan vivo
Por ter me perdidoPor haberme perdido

E me afundo nos lodosY me hundo en los lodos
Até as orelhasHasta las orejas
Onde o tempo para e o ar se revoltaDonde el tiempo se para y el aire se encabrona
Agora estou ocupado mordendo as nuvensAhora estoy ocupado mordiendo las nubes
Coloquei pra secar todo meu passadoHe puesto a secar todo mi pasado
Que não busco o caminho, que busco o atalhoQue no busco el camino, que busco el atajo
Que não quero a calmaQue no quiero la calma
Que quero o incêndioQue quiero el incendio
FlutuandoFlotando
VoandoVolando

Sem que ninguém me segure os pésSin que nadie me agarre los pies
Que o mundo é muito pequenoQue el mundo es muy pequeño
Visto daqui de cimaVisto desde aquí arriba
E eu me tornei giganteY yo me he vuelto gigante
Por uma puta vezPor una puta vez

E agora entendo por que o Sol mordia o colchãoY ahora entiendo por qué el Sol mordía el colchón
É o frio dos meus ossos que pede suas porçõesEs el frío de mis huesos que pide sus raciones
Esse campo de papoulas tem espinhos de cristalEste campo de amapolas tiene espinas de cristal
Que te levam ao céuQue te llevan al cielo
Pra depois te arrastarPara luego arrastrarte
Pro fundo do barrizalAl fondo del barrizal

Fechei a porta com sete chavesHe cerrado la puerta con siete llaves
É verdadeEs verdad
Mas a chave do inferno sou eu que tenhoPero la llave del infierno la tengo yo
Vendendo pro diaboVendiéndole al diablo
Minha pouca vontadeMi poca voluntad
Em troca de um momentoA cambio de un momento
Que anestesie a almaQue me anestesie el alma

Que mentira maior é voar sem ter asasQue mentira más grande es volar sin tener alas
Flutuar em uma poça acreditando que é o marFlotar en un charco creyendo que es el mar
Agora o ar que invento não me deixa respirarAhora el aire que invento no me deja respirar
Que não é que eu voe altoQue no es que vuele alto
É que não aguento a terraEl que no aguanto la tierra

Fecho a portaCierro la puerta
Não pra que não entremNo para que no entren
Mas pra que não vejam como eu me perco de novoSino para que no vean como me vuelvo a perder
No vermelho, na fumaça, no nadaEn lo rojo, en el humo, en la nada

Abrir a maldita consciênciaAbrir la puta conciencia
Que abrir a consciência não é se fechar a cal e cantoQue abrir la conciencia no es cerrarse a cal y canto
Nem amar as penasNi amar las penas
Nesse manto vermelhoEn este rojo manto
Que a viagem é de idaQue el viaje es de ida
E a passagem se paga com retalhos de sorteY el billete se paga con jirones de suerte
Que não estou celebrando o que resta de vidaQue no estoy celebrando lo que queda de vida
Estou ensaiandoEstoy ensayando
Meu baileMi baile
Com a morteCon la muerte

Me dá mais um minutoDame un minuto más
Desse falso consoloDe este falso consuelo
Antes que o frioAntes de que el frío
Me encontre de novoMe vuelva a encontrar
Que não sou um giganteQue no soy un gigante
Sou um bicho no chãoSoy un bicho en el suelo
Que esquece que pra viverQue olvido que para vivir
Primeiro tem que saber sangrarPrimero hay que saber sangrar

Não busquem o céuNo busquéis el cielo
Na beira de uma ilusãoEn el filo de un engaño
Que a viagem é curtaQue el viaje es corto
E o rastro é de mil anosY el rastro es de mil años
Abram os olhosAbrid los ojos
Quebram as correntes da verdadeRompen las cadenas de verdad
Que não há mais prisãoQue no hay más cárcel
Que essa falsa vontadeQue esta falsa voluntad

A vida golpeiaLa vida golpea
A vida te mordeLa vida te muerde
Mas só quem fica é quem nunca se perdePero solo el que se queda es el que nunca se pierde
Maldita a trégua que te rouba o caminhoMaldita la tregua que te roba el camino
Maldito o alívio que te dita o destinoMaldito el alivio que te dicta el destino

Sete chavesSiete llaves
E nem uma única saídaY ni una sola salida
A consciência abertaLa conciencia abierta
E a vida perdidaY la vida perdida

Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez. Essa informação está errada? Nos avise.

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