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Trono de Ortigas

LOCURA POÉTICA

Letra

Trono de Ortigas

Trono de Ortigas

MmmMmm
Cheira a tempo podreHuele a tiempo podrido
E a umidade do rioY a humedad de río
As flores me vestemMe sientan las flores
Como um traje de enterroComo un traje de entierro
Enquanto mordo o silêncioMientras muerdo el silencio
E ladro pro meu cachorro, oh, oh, oh!Y le ladro a mi perro, ¡oh, oh, oh!

A velha árvore me observaEl viejo árbol me mira
Com olhos de avôCon ojos de abuelo
Vendo como meus chifresViendo como mis cuernos
Não tocam o céuNo alcanzan el cielo

Tem um pássaro estranhoHay un pájaro extraño
Com cauda de ratoCon cola de rata
Que voa baixinhoQue vuela bajito
Que o vento maltrataQue el aire maltrata
E um monstro na poçaY un monstruo en el charco
De escamas e de dorDe escama y de pena
Que arrasta correntesQue arrastra cadenas

Sou um sábio de merdaSoy un sabio de mierda
Num trono de urtigaEn un trono de ortigas
Enquanto conto os séculosMientras cuento los siglos
E as fadigasY las fatigas

E que me importa se a água tá turvaY qué me importa si el agua está turbia
Se um cachorro magro me dá sua chuvaSi un perro flaco me otorga su lluvia
Levanta a pataLevanta la pata
Despreza meu postoDesprecia mi rango
Sabedoria de pulgasSabiduría de pulgas
Lição de animalLección de animal

Um peixe ri do fundo do lodoUn pez se ríe desde el fondo del lodo
Aqui a pureza se suja com tudoAquí la pureza se ensucia con todo
Não há inferno que queimeNo hay infierno que queme
Como esse desprezoComo este desprecio
Ser um Deus esquecido tem seu valor de merdaSer un Dios olvidado tiene su puta aprecio
Se sacode as pulgasSe sacude las pulgas
Enquanto canta no meu ouvidoMientras me canta al oído
Que nada é eternoQue nada es eterno

E que me importa se o céu se racha¿Y qué me importa si el cielo se agrieta
Sou o barqueiro da minha própria canoaSoy el barquero de mi propia barca
Sem remo, sem rumoSin remo, sin rumbo
Bebendo o venenoBebiendo el veneno
De um mar que tá mortoDe un mar que está muerto
Enquanto meu orgulhoMientras mi orgullo
Se torna pântanoSe vuelve pantano
Cheira a tempo podreHuele a tiempo podrido
Umidade do rioHumedad de río
E a esse batismo de cachorro sarnentoY a este bautizo de perro sarnoso
Que me deixou um poucoQue me ha vuelto un poco
Um pouco mais humano, ohUn poco más humano, oh

Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez. Essa informação está errada? Nos avise.

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