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YO TAMBIEN TUVE ALAS

LOCURA POÉTICA

Letra

EU TAMBÉM TIVE ASAS

YO TAMBIEN TUVE ALAS

Eu também tive asasYo también tuve alas
Mas o céu se cansou de mimPero el cielo se cansó de mí
Barulho demais, luz demaisDemasiado ruido, demasiada luz
Pra tanto cinzaPara tanto gris

Dizem que eu caí por soberbaDicen que caí por soberbio
Que me achei diferenteQue me creí distinto
Não sabem que a alma doíaNo saben que el alma me dolía
Mas mesmo assim eu sorriaPero aun así sonreía

Benditos sejam os medíocresBenditos sean los mediocres
Que dormem tranquilos sem sonharQue duermen tranquilos sin soñar
Eu durmo pouco e quando sonho, ardoYo duermo poco y cuando sueño, ardo
Me tiraram o céu, mas não o desejoMe quitaron el cielo, pero no el deseo

E mesmo com as asas quebradasY aun con las alas rotas
Eu voo mais que elesVuelo más que ellos
Desci do céu, sem barulhoBajé del cielo, sin ruido
Com as asas cansadas de tanto brilhoCon las alas cansadas de tanto brillo

Não foi castigoNo fue castigo
Foi curiosidadeFue curiosidad
Caí porque doía o silêncioCaí porque dolía el silencio
E alguém me ofereceu um sonho fácilY alguien me ofreció un sueño fácil

Aprendi que o paraíso não está tão altoAprendí que el paraíso no está tan alto
Como eu pensavaComo creía
Que os demônios também choramQue los demonios también lloran
E os anjos também se apodrecemY los ángeles también se pudren

Me busco no reflexo de um corpo vazioMe busco en el reflejo de un cuerpo vacío
Continuo vivo, mas já não voo, só flutuoSigo vivo, pero ya no vuelo, solo floto

Agora caminho do lado das sombrasAhora camino del lado de las sombras
Onde o céu não brilhaDonde el cielo no brilla
Mas pelo menos não enganaPero al menos no engaña
Não caí por loucura, caí por cansaçoNo caí por locura, caí por cansancio
Por querer parar o barulho um momentoPor querer parar el ruido un momento
Caí sem barulhoCaí sin ruido
Não me empurraramNo me empujaron
Eu me deixei ir, quis experimentar o proibidoMe dejé ir, quise probar lo prohibido
E encontrei isso gentil no começoY lo encontré amable al principio
Tão gentilTan amable
Que não quis voltarQue no quise volver

Me falou baixinhoMe habló bajito
Me prometeu calmaMe prometió calma
Me jurou que doeria menosMe juró que dolería menos
E cumpriuY cumplió
Desde então caminho devagarDesde entonces camino lento
Não por cansaço, mas por medo de tropeçar na luzNo por cansancio, sino por miedo a tropezar con la luz
Nesse tremor que se instala onde antes vivia a almaA ese temblor que se instala donde antes vivía el alma

Agora sou diabo das minhas adiçõesAhora soy diablo de mis adicciones
Não me restam asas nem vontade de buscá-lasNo me quedan alas ni ganas de buscarlas
Bendigo minha condenação com os olhos abertosBendigo mi condena con los ojos abiertos
Porque fechá-los seria voltar a sonharPorque cerrarlos sería volver a soñar

Aprendi a falar com o que me mataHe aprendido a hablar con lo que me mata
Por querer sentir algo diferente do vazioPor querer sentir algo distinto al vacío
Em cada tentativa de fugaEn cada intento de huida
Deixei um pedaço de mimDejé un pedazo de mí
Até não sobrar ninguém pra salvarHasta ya no quedar a quien salvar

Não há correntesNo hay cadenas
Só costumeSolo costumbre
Não há redençãoNo hay redención
Só rotinaSolo rutina
E cada noite me repito que talvez amanhãY cada noche me repito que mañana quizá
Mas eu sei que estou mentindoPero sé que miento

E o pior de ser diaboY lo peor de ser diablo
Não é o infernoNo el infierno
É saberEs saber
Que fui eu quem escolheuQue lo elegí yo


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