Casualidades
Una vez se fue la luz en el barrio 12 de Octubre
Yo me sentí acalorado y me fui para la plaza
Y al poco rato veo que viene una muchacha
Se sienta en mi misma banca y miren, ¡qué casualidades!
Y enseguida yo me puse a preguntarle
¿Oye, nena, qué tenéis que estás tan guapa?
Oye, negro, me botaron de la casa
Tú verás si quieres acompañarme
Y he quedado como paloma que pasa
Que tiene su propio nido y en él no puede alojarse
Y he quedado como paloma que pasa
Que tiene su propio nido y en él no puede alojarse
Mira, nena, ¡ombe! Pero cómo no
Lo que esté a mi alcance, yo te lo pongo a la orden
Mira, nena, ¡ombe! Pero cómo no
Lo que esté a mi alcance, yo te lo pongo a la orden
Yo también soy familiar de gente noble
Y comprendo los dolores que matan a un corazón
Yo también soy familiar de gente noble
Y comprendo los dolores que matan a un corazón
¡Ombe! Negro, en mi casa me han regañado
Y todita me ultrajaron delante de mis vecinos
Dijeron que saliera a buscar marido
Que era lo que me faltaba para ser una cualquiera
En la maleta me echaron cuatro polleras
Tres vestidos que ya ni me los ponía
Unos sostenes que a mí ya ni me servían
Mejor dicho, todita mi ropa vieja
Y he quedado ni animal sin madriguera
Que en cualquier parte se queda huyéndole a la luz del día
Y he quedado ni animal sin madriguera
Que en cualquier parte se queda huyéndole a la luz del día
Me ha gustado ser un hombre condolido
Que me gusta enseñar al que no sabe
Me ha gustado ser un hombre condolido
Que me gusta enseñar al que no sabe
¡Ombe! Negra, perdónale a tu madre
Estoy seguro que no saben del error que han cometido
¡Ombe! Negra, perdónale a tu madre
Estoy seguro que no saben del error que han cometido
Casualidades
Uma vez a luz apagou no bairro 12 de Outubro
Eu me senti quente e fui pra praça
E logo vejo que vem uma garota
Se senta no meu banco e olha, que casualidades!
E logo eu comecei a perguntar pra ela
Ô, menina, o que você tem que tá tão bonita?
Ô, negão, me botaram pra fora de casa
Você vê se quer me acompanhar
E fiquei igual a uma pomba que passa
Que tem seu próprio ninho e nele não pode ficar
E fiquei igual a uma pomba que passa
Que tem seu próprio ninho e nele não pode ficar
Olha, menina, ô, mas como não
O que estiver ao meu alcance, eu coloco à sua disposição
Olha, menina, ô, mas como não
O que estiver ao meu alcance, eu coloco à sua disposição
Eu também sou parente de gente boa
E entendo as dores que matam um coração
Eu também sou parente de gente boa
E entendo as dores que matam um coração
Ô, negão, em casa me deram bronca
E me humilharam na frente dos meus vizinhos
Disseram que eu tinha que sair pra arrumar marido
Que era o que me faltava pra ser uma qualquer
Na mala me jogaram quatro saias
Três vestidos que eu nem usava mais
Uns sutiãs que pra mim já não serviam
Melhor dizendo, toda a minha roupa velha
E fiquei igual a um bicho sem toca
Que em qualquer lugar se esconde da luz do dia
E fiquei igual a um bicho sem toca
Que em qualquer lugar se esconde da luz do dia
Eu gostei de ser um homem sensível
Que gosta de ensinar quem não sabe
Eu gostei de ser um homem sensível
Que gosta de ensinar quem não sabe
Ô, negra, perdoa sua mãe
Tenho certeza que não sabem do erro que cometeram
Ô, negra, perdoa sua mãe
Tenho certeza que não sabem do erro que cometeram