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No Engano

Los Olimareños

En El Ingenio

No haga ruido, déjalo que duerma
Tal vez sueña con un mundo de ilusión
Pobre negro, lleva su alma enferma
Sin más salario que esa prisión

Déjalo que duerma hasta mañana
Que la campanada le ordenará
Ir al trabajo en horas tempranas
O el látigo fiero lo llevará
Y así van los negros muy temprano pa'l batey

Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando

Ese negro, Rafael que dice va' trabajar
Ese negro, Rafael que dice va a trabajar
Mentira, no va a hacer na', na' más sirve pa' comer

Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando

Cuando venga el Mayorá' lo va' amarrá' como un buey
Cuando venga el Mayorá' lo va amarrá' como un buey
Aquí mismo en el batey
¡Qué paliza te va' dar!

Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando

En tu pellejo va a untar sal, aguardiente y ají
En tu pellejo va' untar sal, aguardiente y ají
Luego te va a preguntar: ¡Negro!, ¿qué es lo que tú haci' ahí?

Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando

Y así alegraba su parrandear
El mundo entero que se embriagó
Con trago dulce, sin apurar
Si era un suplicio lo que bebió

Laborando siempre el pobre negro sucumbió
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando
Laborando, siempre laborando

No Engano

Não faça barulho, deixa ele dormir
Talvez sonhe com um mundo de ilusão
Pobre negro, carrega sua alma doente
Sem mais salário que essa prisão

Deixa ele dormir até amanhã
Que o sino vai chamar
Pra ir trabalhar bem cedinho
Ou o chicote feroz vai levar
E assim vão os negros bem cedo pro batey

Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando

Esse negro, Rafael que diz que vai trabalhar
Esse negro, Rafael que diz que vai trabalhar
Mentira, não vai fazer nada, só serve pra comer

Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando

Quando o Majorá chegar, vai amarrar como um boi
Quando o Majorá chegar, vai amarrar como um boi
Aqui mesmo no batey
Que surra ele vai te dar!

Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando

No seu couro vai passar sal, cachaça e pimenta
No seu couro vai passar sal, cachaça e pimenta
Depois vai te perguntar: "Negro!, o que você tá fazendo aí?"

Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando

E assim alegrava sua farra
O mundo inteiro que se embriagou
Com bebida doce, sem pressa
Se era um suplício o que bebeu

Trabalhando sempre o pobre negro sucumbiu
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando
Trabalhando, sempre trabalhando

Composição: Miguel Matamoros