New Orleans
Passé comme un rêve un univers étrange
vieux marais insalubres, émanations putrides
comme une nuit chaude perlée d'air humide
rampe et s'entrelace en lourdeurs orageuses
Il nous reste encore sifflant, hurlant dans le vent
des traînées de jazz, de rues contigües
ils nous reste toujours bas-fonds éventrés
où se larmoie le souffle d'années fastueuses
Porté par le fleuve, par un soleil de mort
lumière diffuse et folle halo onirique
dans la moiteur profonde résonne-t'un refrain embrumé
porté par le chant d'une trompette désoeuvrée
Où quelques vieux noirs survivants se meurent sur un vieil air
musique endiablée, fluide et fluctuante
répétée mille fois, même jeu, même sourire
piano lancinant s'égaye le temps d'un souvenir...
Nova Orleans
Passou como um sonho, um universo estranho
velhos pântanos insalubres, emanações podres
como uma noite quente, cheia de ar úmido
se arrasta e se entrelaça em pesadas tempestades
Ainda nos resta, assobiando, gritando ao vento
rastros de jazz, de ruas vizinhas
sempre nos restam fundos podres e abertos
onde se lamenta o sopro de anos gloriosos
Carregado pelo rio, sob um sol de morte
luz difusa e louca, halo onírico
na umidade profunda ressoa um refrão embaçado
carregado pelo canto de uma trompete sem rumo
Onde alguns velhos negros sobreviventes se vão em um velho ar
música endiabrada, fluida e oscilante
repetida mil vezes, mesmo jogo, mesmo sorriso
piano lancinante alegra o tempo de uma lembrança...