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Torrão, Meu Canto de Terra

Luidhi Moro Muller

Letra

    Quando o fio do arado
    Em unhas garras de fera
    Cala o silêncio da terra
    Ferindo o lombo moreno
    Só o bálsamo sereno
    Acaricia em lamento
    Como banhasse de ungüento
    Aquebrantando venenos

    Quando os cascos pisoteiam
    As vergas que aninha o grão
    Levantam firmes do chão
    As leivas dos “pajonais”
    Dentre as crinas dos juncais
    Que não se tosa a tesoura
    Assim pendoam vassouras
    Tingindo os macegais

    Silêncios de um tempo
    Que o mundo era campo
    E as cercas de grampo
    Não viam lindeiros
    A terra um canteiro
    Sem dono nem lei
    Sem trono nem rei
    Um vasto potreiro

    E as “cruz” que te plantam
    -paus ferros de luto-
    Esta sim não da fruto
    Nem emboneca o pendão
    De flor e perdão
    De luz e partida
    A terra é guarida
    O último galpão

    Composição: Henrique Fernandes / Luidhi Moro Müller. Essa informação está errada? Nos avise.

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