Madresselva
Velha parede
do subúrbio,
sua sombra foi
minha companheira.
Na minha infância
sem esplendor,
a amiga foi
a sua madreselva.
Quando tremendo
meu primeiro amor
com esperanças
beijava minha alma,
eu junto a você,
pura e feliz,
cantava assim
minha primeira confissão.
Madreselvas em flor
que me viram nascer
e na velha parede
surpreenderam meu amor,
sua humilde carícia
é como o carinho
primeiro e querido
que sinto por ele.
Madreselvas em flor
que vão se trepando,
esse seu abraço tenaz
e doce como aquele,
se todos os anos
tuas flores renascem,
faz com que não morra
meu primeiro amor...
Passaram os anos
e meus desenganos
eu venho te contar,
minha velha parede...
Assim aprendi
que é preciso fingir
para viver
decentemente;
que amor e fé
são mentiras
e do dor
a gente ri...
Hoje que a vida
me castigou
e me ensinou
seu credo amargo,
velha parede,
com emoção
me aproximo de você
e te digo como ontem.
Madreselvas em flor
que me viram nascer
e na velha parede
surpreenderam meu amor,
sua humilde carícia
é como o carinho
primeiro e querido
que nunca esqueci.
Madreselvas em flor
que vão se trepando,
esse seu abraço tenaz
e doce como aquele...
Se todos os anos
tuas flores renascem,
por que já não volta
meu primeiro amor?