Os atropelos da existência
Foram deixados para trás
Encurtando toda ausência
Volto ao afago do meu pago
Sem aviso nem missiva
Chego na praça central
Minha alma cativa
Abraça o meu quintal
Vou visitar toda minha gente
No coração o tempo não passou
Bater na porta de cada parente
Saber quem foi e quem ficou
Encontrar amigos de infância
Reaproximar toda a distância
Dar um abraço mui apertado
Em cada vivente encontrado
Um dia é preciso retornar
Quem se perdeu pela vida
No pago vai se reencontrar
Para uma última despedida
Rever a casa onde cresci
Com alfinete, pescar lambari
Nadar no Jacui, no pé comer caqui
Devagar, deixar o tempo se esvair
Tomar um trago de canha
Que a dona Odette proibiu
Evitar toda e qualquer façanha
Como procurar a paixão infantil
Reaprender rezas antigas
Para orar por quem partiu
Apertar as mãos amigas
Da forma mais gentil
Um calendário de emoções
Se desdobra no meu pago
E aquele menino, índio vago
Não tem mais ilusões
Um dia é preciso retornar
Quem se perdeu pela vida
No pago vai se reencontrar
Para uma última despedida