
De Volta Ao Pago
Luis H. Rocha
Os atropelos da existência
Foram deixados para trás
Encurtando toda ausência
Volto ao afago do meu pago
Sem aviso nem missiva
Chego na praça central
Minha alma cativa
Abraça o meu quintal
Vou visitar toda minha gente
No coração o tempo não passou
Bater na porta de cada parente
Saber quem foi e quem ficou
Encontrar amigos de infância
Reaproximar toda a distância
Dar um abraço mui apertado
Em cada vivente encontrado
Um dia é preciso retornar
Quem se perdeu pela vida
No pago vai se reencontrar
Para uma última despedida
Rever a casa onde cresci
Com alfinete, pescar lambari
Nadar no Jacui, no pé comer caqui
Devagar, deixar o tempo se esvair
Tomar um trago de canha
Que a dona Odette proibiu
Evitar toda e qualquer façanha
Como procurar a paixão infantil
Reaprender rezas antigas
Para orar por quem partiu
Apertar as mãos amigas
Da forma mais gentil
Um calendário de emoções
Se desdobra no meu pago
E aquele menino, índio vago
Não tem mais ilusões
Um dia é preciso retornar
Quem se perdeu pela vida
No pago vai se reencontrar
Para uma última despedida



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