395px

Até Que a Noite Volte

Luis H. Rocha

Hasta Que Vuelve La Noche

El Sol titubea en la esquina del día
Camino sin destino bajo una llovizna terca
Huyo del camino que insiste en encontrarme
Aunque sé muy bien que siempre me alcanza
¿San Telmo o Corrientes?
Buenos Aires no me dice adónde ir

Anhelo el dulce veneno de tu mirada
Una ginebra lenta, tal vez dos sorbos
Un tango atrevido, mal cantado
Una risa fugaz
Antes del naufragio inevitable
Antes de soltar amarras
Y anclar, desarmado, en tu voz

Pero la vida es avara y mezquina
No es fácil dar contigo
Te busqué sin descanso
En bares sin nombre
En promesas que la noche
Nunca volvió a cumplir

Te busqué entre salones perfumados
Y en cafetines de humo y soledad
Ni en hoteles de lujo
Ni en milongas de arrabal
De Recoleta al Sur comprendí
Mi sombra era la única verdad

Te busqué en patios y viejos conventillos
En antros gastados por el alcohol
En templos de fe
Y en antros de pecado
Esos donde se va por deseo
Y esos otros que oculta el silencio

Te busqué sin pudor, casi sin fe
En los muros cansados de la Chacarita
Entre vecinos de Gardel, por Boedo y Avellaneda
Sobre mesas gastadas, junto a la ventana
Con los zapatos hundidos
En el gris barro del Riachuelo

Mi cuerpo ya no insiste
El vaso espera a mi lado
Debo decirlo sin drama ni reproche
A pesar de mis noches de insomnio
Ni un instante, ni por sombra
Te encontré

Y con el último sorbo amargo
De un vino tinto sin gloria
Le doy la espalda al amanecer
Herido y lúcido, renuncio a buscarte
Hasta que vuelva a caer la noche

Até Que a Noite Volte

O Sol vacila na esquina do dia
Caminho sem destino sob uma garoa insistente
Fujo do caminho que insiste em me encontrar
Embora eu saiba muito bem que sempre me alcança
San Telmo ou Corrientes?
Buenos Aires não me diz aonde ir

Anseio o doce veneno do seu olhar
Uma gin tônica lenta, talvez dois goles
Um tango ousado, mal cantado
Uma risada fugaz
Antes do naufrágio inevitável
Antes de soltar as amarras
E ancorar, desarmado, na sua voz

Mas a vida é avara e mesquinha
Não é fácil te encontrar
Te procurei sem descanso
Em bares sem nome
Em promessas que a noite
Nunca voltou a cumprir

Te procurei entre salões perfumados
E em cafetins de fumaça e solidão
Nem em hotéis de luxo
Nem em milongas de subúrbio
De Recoleta ao Sul compreendi
Minha sombra era a única verdade

Te procurei em pátios e velhos cortiços
Em antros desgastados pelo álcool
Em templos de fé
E em antros de pecado
Aqueles onde se vai por desejo
E aqueles outros que o silêncio esconde

Te procurei sem pudor, quase sem fé
Nos muros cansados da Chacarita
Entre vizinhos de Gardel, por Boedo e Avellaneda
Sobre mesas desgastadas, junto à janela
Com os sapatos afundados
Na lama cinza do Riachuelo

Meu corpo já não insiste
O copo espera ao meu lado
Devo dizer isso sem drama nem reproche
Apesar das minhas noites de insônia
Nem um instante, nem por sombra
Te encontrei

E com o último gole amargo
De um vinho tinto sem glória
Viro as costas para o amanhecer
Ferido e lúcido, renuncio a te buscar
Até que a noite volte a cair

Composição: Luis H. Rocha