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O Gaúcho de Antanho

Luis H. Rocha

É besteira quem pensa
Que o gaúcho de antanho
Sem eira nem beira
Só cuidava do rebanho

Eram tempos diferentes
Andava solito pelo rincão
Se entreverava no capão
Orelhano, bagual e valente

Chamado de selvagem
Sempre de passagem
Índio taita domador
Bombacha e tirador

Sua vida era campeira
Cruzava as três fronteiras
Estropiado fugindo da lei
Que a estância tinha mandado

No entardecer, aporreado
Para sobreviver, nas sesmarias
O índio carneava o gado
No pampa de tantas porfias

Acusado de ladrão
Chamado de gaúcho
Ofensa do patrão
A prisão era sentença

E assim vagava guerreiro
A la cria o vaqueano
Alçava viver o caborteiro
Gaudério e paisano

A liberdade herdada
Dos centaurus seus ancestrais
Negada pelos senhores feudais
Que o queriam nos currais

Índio por fim colmilhudo
No tranco viu o tempo varar
Esta vida desgranida
Enfim vai lhe domar

Agora, gaúcho tem valor
A liberdade, ninguém viu
No campo e na cidade
O tempo maléva baniu

Cada um que abre cancha
Brande a tradição do rio grande
Leva consigo um pouco de glória
Do sangue antigo no coração


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