Sombras de Goya

Luis H. Rocha

Quando me encontro
Em um dia cinzento
É como não respirar
No escuro do quarto
É como a dor do parto
De quem não pode gerar

Um sentimento
Um triste lamento
De morte e de dor
Uma desilusão
De um coração
Que ainda crê no amor

E no breu de mais uma noite
Como de Góia um retrato
A lembrança um açoite
Bebo um vinho barato
Vazio, sozinho e febril
O horizonte é hostil

E sem luz e sem afago
Perdida em sombra e frio
Dentro de mim eu trago
A desilusão de uma vida
Que quisera ser vivida
Com um grande amor

Então logo me despeço
Sem nada cumprido
Ao ventre eu regresso
De onde não deveria ter saído
Não deixo nada, nada levarei
Não sei porque vim, não conte
Que um dia eu voltarei


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