Flor de trapo
Antes eras la piba más linda
de una casa de moda en Florida
y, al reír, tu boquita de guinda
locas ansias daban de besar.
Tu carita, reflejo del cielo,
nunca triste la vieron estar
ni llorar con tan gran desconsuelo
como cuanto te oíste llamar:
Flor de trapo,
de la vida triste harapo
que tu alma vas vendiendo
por un rato de placer.
Pobrecita,
pobre flor que se marchita,
poco a poco vas perdiendo
tus encantos de mujer.
Hoy, en cambio, tu cara es de nácar
y dos manchas de sombra tus ojos,
y al pasear tu figura en el Packard
vas fingiendo una mueca de amor.
De las sedas, fatal, fue su influjo
y trocaste en infierno tu edén,
pues, borracha de orgías y lujo,
diste en manos de aquel niño bien.
El recuerdo de tus pobres viejos
llena tu alma de amarga congoja
y evocando sus tiernos consejos
el dolor en tu pecho anidó.
De tu rostro se fue la alegría,
tus colores el vicio perdió
y es tu vida la triste agonía
de la flor que agostada murió.
Flor de trapo
Antes você era a garota mais linda
de uma casa de moda em Florida
E, ao rir, sua boquinha de cereja
loucas vontades davam de beijar.
Seu rostinho, reflexo do céu,
Nunca triste a viram estar
Nem chorar com tanto desespero
Como quando te ouviram chamar:
Flor de trapo,
do triste viver, um trapo
que sua alma vai vendendo
por um momento de prazer.
Pobrezinha,
pobre flor que se murcha,
pouco a pouco vai perdendo
tuas graças de mulher.
Hoje, em contrapartida, seu rosto é de madrepérola
e duas manchas de sombra seus olhos,
e ao passear sua figura no Packard
dá uma de amor, fingindo uma careta.
Das sedas, fatal, foi sua influência
e trocou seu paraíso por um inferno,
pois, embriagada de orgias e luxo,
deveu a um garoto de boa família.
A lembrança de seus pobres pais
enche sua alma de amarga dor
e evocando seus ternos conselhos
o sofrimento em seu peito aninhou.
De seu rosto a alegria se foi,
suas cores o vício levou
e sua vida é a triste agonia
da flor que murchou e morreu.