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Letra

    Quando é tempo de tosquia
    Já clareia o dia com outro sabor
    As tesouras cortam em um só compasso
    Enrijecendo o braço do esquilador

    Um descascarreia, o outro já maneia
    E vai levantando para o tosador
    Avental de estopa, faixa na cintura
    E um gole de pura pra espantar o calor

    Alma branca igual ao velo
    Tosando a martelo quase envelheceu
    Hoje perguntando para a própria vida
    Pr'onde foi a lida que ele conheceu

    Quase um pesadelo, arrrepia o pelo
    Do couro curtido do esquilador
    Ao cambiar de sorte levou cimbronaço
    Ouvindo o compasso tocado a motor

    A vida disfarça lembrando a comparsa
    Quando alinhavava o seu próprio chão
    Envidou os pagos numa só parada
    Trinta e três de espada, mas perdeu de mão

    Nesta vida guapa vivendo de inhapa
    Vai voltar aos pagos para remoçar
    Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira
    Volte pra fronteira para se encontrar


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