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Querência

Luiz Marenco

Letra

    Querência, rincão querido, do bochincho e do fandango
    Da boleadeira e do mango, da coxilha e da canhada
    Querência verde orvalhada dos ventos que se adelgaçam
    Repetindo quando passam, já fui tudo e não sou nada!

    Rincão de flor colorada no topete das morenas
    Do tilintar das chinelas e do umbu triste, sozinho
    D'onde o bem te vi do ninho, nas alvoradas serenas
    Desfiam, sem fim, as penas, na evocação de um carinho

    Querência do cusco amigo, nobre guapo e companheiro
    Do balcão do bolicheiro, da China linda e do trago
    Do paysano que anda vago sem parador nem querência
    E vai curtindo na ausência recuerdos de algum afago

    Querência do mate amargo sevado em fogão tropeiro
    Do redomão caborteiro que, num upa, corcoveia
    Da cruz carcomida e feia entre moitas de erva rala
    Que tristemente assinala vestígios de uma peleia

    Querência do carreteiro, sempre a cruzar ao tranquito
    Na sina de andar solito junto à carreta que passa
    Como duende que esvoaça levando para o infinito
    O fardo santo e bendito dos atavismos da raça

    Querência da gaita véia que, pacholeando, se espalha
    Do velho rancho de palha abandonado ao rigor
    Do pavilhão tricolor que foi sinal da batalha
    E, hoje, serve de mortalha do gaúcho peleador

    Composição: Jayme Caetano Braun / Noel Guarany. Essa informação está errada? Nos avise.

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