A Nos Amis
A mes amis, à cette rancune qui ne nous fait plus boire les mêmes bières
A mes amis, à cette enclume qui nous rattache aux mêmes pierres
Aux souvenirs mal maîtrisés, aux souvenirs mal répandus
Peut-être exagérés voire même jamais vécus
Voire même jamais vécus
Même en étant un peu amer, même en étant un peu odieux
Tu me le disais déjà mon frère, on est fait pour être vieux
Aux amis sans commentaires, aux amis peu coléreux
Qui me chantaient de jolis airs en crachant tout de même un peu
A nos amis de même rivière qui se sont noyés peu à peu
Pourquoi se voir pendant les trèves
On ne se voit plus au fond des yeux
Aux souvenirs un peu amers, aux souvenirs un peu odieux
On a voulu être droits et fiers, on se retourne peu à peu
On se retourne peu à peu
A ces amis de passage, à ces amis sans préavis
Qui veulent vous ramener sur le rivage, vous soustraire à la nuit
A ceux que l'on appelle l'hiver, que l'on écoute quand on a froid
On préfère toujours se taire
De toute façon personne n'y croit
De toute façon personne n'y croit
Un peu aride, un peu faux frère
En tout cas de moins en moins merveilleux
A la vie qui se resserre
On rêve de moins en moins lumineux
A mes coups bas, à mes revers
A vos pardons, à mes travers, en tout cas de plus en plus ennuyeux
A trop vouloir oublier ses frères
On s'oublie toujours un peu
Aux sourires de remords, après le accolades de traitres
Comme avant, comme hier
Comme avant, comme hier
Comme avant, comme hier
Aos Nossos Amigos
Aos meus amigos, a essa mágoa que já não nos faz beber as mesmas cervejas
Aos meus amigos, a essa âncora que nos prende às mesmas pedras
Aos lembranças mal controladas, às lembranças mal espalhadas
Talvez exageradas, ou até mesmo nunca vividas
Ou até mesmo nunca vividas
Mesmo sendo um pouco amargo, mesmo sendo um pouco odioso
Você já me dizia, meu irmão, a gente nasceu pra envelhecer
Aos amigos sem comentários, aos amigos pouco raivosos
Que me cantavam belas canções, mesmo cuspindo um pouco
Aos nossos amigos da mesma correnteza que foram se afogando aos poucos
Por que nos ver durante as pausas
A gente não se olha mais nos olhos
Às lembranças um pouco amargas, às lembranças um pouco odiosas
Queríamos ser retos e orgulhosos, e aos poucos vamos nos virando
E aos poucos vamos nos virando
A esses amigos de passagem, a esses amigos sem aviso
Que querem te trazer de volta à margem, te tirar da escuridão
Aqueles que chamamos de inverno, que ouvimos quando estamos com frio
A gente sempre prefere ficar em silêncio
De qualquer forma, ninguém acredita
De qualquer forma, ninguém acredita
Um pouco árido, um pouco falso irmão
De qualquer forma, cada vez menos maravilhoso
À vida que se aperta
A gente sonha cada vez menos luminoso
Aos meus golpes baixos, aos meus reveses
Aos seus perdões, aos meus defeitos, de qualquer forma, cada vez mais entediante
Ao querer esquecer demais os irmãos
A gente sempre acaba se esquecendo um pouco
Aos sorrisos de remorso, depois dos abraços de traidores
Como antes, como ontem
Como antes, como ontem
Como antes, como ontem