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As Aparências Enganam

Luli e Lucina

Letra

    As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
    Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
    Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
    Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
    O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação

    Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
    As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
    Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
    Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
    Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser

    Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
    Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
    As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
    Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões

    Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
    Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
    Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
    No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.


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