La louve
J'ai de la peau en-dessous des ongles
Et de tes cheveux sur mes nylons
Encore un peu de ta salive
Sur les lèvres et le menton
J'ai de tes caresses dessinées
Comme un automne sur mon dos
Et, sur mes tempes, j'ai ton absence
Qui s'est échouée comme un marteau
J'ai de la peau en-dessous des ongles
Et de tes vêtements sur le sol
Encore un peu de ton parfum
Mêlé de sueur et puis d'alcool
J'ai de tes promesses qui m'reviennent
Comme un remords, comme un écho
Comme une espèce de veille rengaine
En souvenir à la radio
J'ai de tes manies dans les gestes
Et de tes gestes dans les mains
De tes empreintes sur les fesses
Et ton absence ... dans les reins
J'ai de la peau en-dessous des ongles
Et de mes larmes sur les doigts
De tes cigarettes encore longues
Que j'finirai d'fumer pour toi
J'ai des envies que je refoule
De décrocher le combiné
Pour te laisser savoir la boule
Au fond d'ma gorge, qui s'est coincée
J'ai de la peau en-dessous des ongles
Qui viennent encore de s'accrocher
Qui avaient la conviction profonde
Que tout ton corps allait céder
Et puis voilà que j'me retrouve
Griffes sorties et cœur béant
Défaite et sale comme une louve
Qui s'est battue pour son enfant ...
Et qui a perdu !
... Et qui a perdu !
A Loba
Eu tenho pele debaixo das unhas
E dos seus cabelos nos meus nylons
Mais um pouco da sua saliva
Nos lábios e no queixo
Eu tenho suas carícias desenhadas
Como um outono nas minhas costas
E, nas minhas têmporas, eu tenho sua ausência
Que encalhou como um martelo
Eu tenho pele debaixo das unhas
E suas roupas no chão
Mais um pouco do seu perfume
Misturado com suor e depois com álcool
Eu tenho suas promessas que voltam pra mim
Como um remorso, como um eco
Como uma espécie de velha cantiga
Na lembrança do rádio
Eu tenho suas manias nos gestos
E seus gestos nas minhas mãos
Suas impressões nas minhas coxas
E sua ausência... nas minhas costas
Eu tenho pele debaixo das unhas
E minhas lágrimas nos dedos
De seus cigarros ainda longos
Que eu vou acabar de fumar por você
Eu tenho desejos que eu reprimo
De pegar o telefone
Pra te deixar saber da bola
Na minha garganta, que ficou presa
Eu tenho pele debaixo das unhas
Que ainda acabaram de se agarrar
Que tinham a convicção profunda
De que todo o seu corpo ia ceder
E então aqui estou eu
Com as garras de fora e o coração aberto
Derrotada e suja como uma loba
Que lutou pelo seu filhote...
E que perdeu!
... E que perdeu!