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O Velho e a Cabeça Oca

Lynda Lemay

Le vieil homme et l'écervelée

Il embrasse une à une des milliers d'cigarettes
Ce vieil homme en costume qui t'raconte des sornettes
Qui se penche et qui hume son pinard de Bourgogne
Ce vieillard qui t'enfumes sans aucune vergogne

Il se lance a la gorge des bouteilles sans messages
Et son souffle regorge d'amertume et de rage
Il s'en va à ta source mouiller sa marée basse
Il te brandit ma douce comme un trophée de chasse

IL aura bientôt fait le tour de son horloge
c'est l'écume au palais qu'il te ment des éloges
Il pollue ta jeunesse, il t'écrase la main
Te guide sans finesse vers les yeux des copains

Il dégueule sur les toits qu'il te trouve merveilleuse
Mais y'a que toi qui y crois, tu te crois amoureuse
Petite écervelée, c'est bien peine perdue
On ne peut pas aimer quelqu'un qui ne s'aime plus

Comme il n'y a plus de joie dans sa pauvre carcasse
Il n'éclate que de voix pour occuper l'espace
Une voix caverneuse, une voix d'outre tombe
A la tendresse hideuse à laquelle tu succombes

Non satisfait déjà d'être imbu de lui même
Il imbuse de toi,te laisse croire que tu l'aimes
Il use d'une renommée déjà tombée en miettes
En fait d'la poudre achetée à tes yeux de bichette

Il a perdu sa flamme, il a perdu sa femme
S'il se rabat maintenant sur toi, ma belle enfant
S'il ose aller s'échouer de toute sa peau rèche
Sa gueule mal rasée contre ta peau de pêche

C'est qu'il n'a plus en lui un restant de scrupule
Il se croit tout permis, se couvre de ridicule
Tu t'crois enamourée, mais tu n'es rien du tout
Petite ecervelée cet homme est un vieux fou.

Il s'enivre un instant de ton joli sourire
Y t'fais des compliments qui ne veulent rien dire
Il envie ton avenir, il t'en quémande une part
Pour s'empêcher d' pourrir, mais c'est déjà trop tard

Et quand tu lui permet de caresser tes cuisses
Ca ne le rend que plus laid, ça ne le rend que plus triste
Tu le crois amoureux, mais Dieu que tu as tort
Cet homme n'est pas que vieux, cet homme est déjà mort

O Velho e a Cabeça Oca

Ele abraça uma a uma milhares de cigarros
Esse velho de terno que te conta lorotas
Que se inclina e cheira seu vinho da Borgonha
Esse velho que te embriaga sem nenhuma vergonha

Ele se joga na garganta das garrafas sem rótulo
E seu hálito transborda de amargura e raiva
Ele vai até sua fonte molhar sua maré baixa
Ele te exibe, minha doce, como um troféu de caça

Logo ele terá dado a volta no seu relógio
É a espuma no paladar que ele te engana com elogios
Ele polui sua juventude, ele te aperta a mão
Te guia sem jeito em direção aos olhos dos amigos

Ele vomita nos telhados que te acha maravilhosa
Mas só você acredita, se acha apaixonada
Pequena cabeça oca, é uma pena perdida
Não se pode amar alguém que não se ama mais

Como não há mais alegria em sua pobre carcaça
Ele só explode em vozes para ocupar o espaço
Uma voz cavernosa, uma voz de além-túmulo
Com a ternura horrenda à qual você sucumbe

Não satisfeito em ser cheio de si mesmo
Ele se embriaga de você, te faz acreditar que o ama
Ele usa uma fama que já se despedaçou
Na verdade, é pó comprado com seus olhos de cabritinha

Ele perdeu sua chama, ele perdeu sua mulher
Se agora ele se joga em você, minha bela criança
Se ele se atreve a se esborrachar com toda sua pele áspera
Seu rosto mal barbeado contra sua pele de pêssego

É porque não lhe resta um pingo de escrúpulo
Ele se acha no direito, se cobre de ridículo
Você se acha apaixonada, mas não é nada disso
Pequena cabeça oca, esse homem é um velho louco.

Ele se embriaga por um instante com seu lindo sorriso
Te faz elogios que não significam nada
Ele inveja seu futuro, pede uma parte pra ele
Pra não apodrecer, mas já é tarde demais

E quando você permite que ele acaricie suas coxas
Isso só o torna mais feio, isso só o deixa mais triste
Você o acha apaixonado, mas Deus, como você está errada
Esse homem não é só velho, esse homem já está morto.

Composição: Lynda Lemay