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Caminhoneta Negra (Ou Os Passeios de Bey)

Madame Javali

Letra

    Uma caminhoneta negra com alto-falantes
    Atravessa um jantar de escritores reunidos para dizer
    Roqueiros
    O poema em que dinamitas a cabeça
    De policiais militares
    Dentro do terreno baldio
    De um papel pólen bold
    Por exemplo
    Não te salvará de ser dócil
    De ser dócil

    O poema em que ateias
    Ácido muriático
    Na família do Skaf
    Ou desmontas um santo de ouro
    Para colocar os pedaços sagrados ao seu cu
    Por exemplo
    Não te salvará do Cristo
    Tampouco
    Da federação dos industriários de São Paulo
    Nem te salvará de ser dócil
    De ser dócil

    O poema em que estouras boutiques
    Lojas de cosmético
    Apostolados de oração, governadores
    O poema em que esporras
    O mastro republicano de um soldado
    Na boca de um tenente-coronel
    Dos agulhas negras
    Talvez te coloque um título
    Uma condecoração
    Mas não te salvará de ser dócil

    Enquanto explodes tua linguagem
    Para o auditório amigo
    O apóstolo Waldemiro
    Está na vanguarda do crime
    Pelas partes escuras da cidade
    Tapeando os que vão tristes com engodos
    Por exemplo
    A redenção
    E a esperança
    A esperança
    A esperança

    O poema não exime do atentado
    O poema não exime do atentado
    O poema não exime do atentado
    O poema não exime do atentado


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