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Guerreiro e Escravo

Mano Ála Rapper

Letra

    Fazenda Guaripa tempo da monarquia
    História de um negão em busca de alegria
    Seu irmão o Quinho do qual sentia carinho
    Eloá sua mãe desde pequenininho
    Ele tinha uma sonho falo na canção
    Sonhar com a liberdade e o fim da escravidão

    O capitão do mato rolava chicotada
    Machucava muito e as feridas ficava
    Mas ele não desistia esperou o momento
    E o dono da fazenda queria investimento
    Queria trocar o cara numa égua e dois cavalos

    Vou fugir agora se embrenhar nos matos
    Naquela madrugada ele não dormiu
    Falou com o irmão da mãe se despediu

    Pegou o cavalo e atravessou o rio
    Fiscal do barco viu rolou quatro tiros
    Percorreu o caminho ele e o animal
    Em busca da fazenda que era especial
    Mas atrás dele veio o malvado capanga
    Pode vim compadre arregaço as mangas

    Vinha um mercador e viu ele fugindo
    Sou contra a escravidão te ensino o caminho
    Não confiou no cara seguiu a estrada
    Correu cinquenta quilômetros na longa jornada

    A fome apertou uma casa viu
    Foi mal recepcionado mais uma vez fugiu
    O Congo era a fazenda que era protegida
    O cara trabalhava e o produto comia
    Podia até vender conseguir um dinheiro

    Ele queria isso sair do desespero
    Avistou de longe a tal da fazenda
    Mano agora que eu entro e peço uma merenda
    Cavalo cansou e ele foi andando

    E o capanga atrás chegou atirando
    Galera correu depois de escutar
    Impediu que o branco chegasse a matar
    Todo mundo comeu partido daquele negão
    Que escapou da morte fugiu da escravidão
    E o branco do capanga levou muita porrada

    Acostumado a bater agora apanhava
    Voltou envergonhado todo arrebentado
    Hematomas pelo corpo e o nariz quebrado
    Ele retornou a fazenda Guaripa

    Falando que tinha sido alvo de covardia
    O Negão merendou descansou um pouco
    Foi proclamado herói aquela coisa de louco
    Pensava na sua mina e sentia saudade
    Prometeu resgatá la em busca da liberdade

    Ela era auxiliar de uma condessa
    Negra selecionada vivia com a nobreza
    Mas combinou fugir amava aquele negão
    Sentimento profundo verdadeira paixão
    Negão se levantou acordou meio tonto
    Se apresentou direito pra galera do Congo

    Tinha até um padre que veio da Itália
    Evangelizar educação diária
    Falava que todo mundo era especial
    Que não tinha diferença todo mundo era igual
    Ele tinha razão na evangelização
    Mostrava atitude respeito com os irmãos

    Sistema da fazenda era comunista
    Todo mundo ajudava e depois repartia
    Estudava com o padre pensava diferente
    Evoluiu ideias mais inteligentes
    Raciocinou cresceu o conteúdo
    Não era ignorante muito menos um burro

    Evoluiu um plano chamou vários os manos
    Desenvolveu uma missão com negros e brancos
    Queria resgatar sua mãe Eloá
    O Quinho seus irmãos e uns parceiros lá
    Mas o principal objetivo da parada
    Era trazer Luanda a mina desejada
    Quem trazia informação era o mercador
    Aquele que no caminho fugindo ele desconfiou

    Acreditava agora pediu muita desculpa
    Filosofia ideológica e não na força bruta
    Esperou o momento certo para a invasão
    Galera da Guaripa esperava o Negão
    Estava tudo certo bem organizado
    E o dono da fazenda estava alarmado

    Naquele Luanda fugiu pela janela
    Já sabia do plano foi se encontrar com a galera
    Atravessou o rio o fiscal não viu ele
    Parecia uma pantera ninguém deu conta dele

    Isso já era altas horas da madrugada
    Na hora do encontro abraços e lágrimas
    Disse que não era pra conversar agora
    Vamos sair daqui vamos todos embora

    Escravo que não sabia percebeu a fuga
    Encontrou esperança pra entrar na luta
    Alertou os cachorros e o capitão do mato
    Sirene tocou e os cabra tudo armado

    O único que ficou foi o Pai Zumbi
    Velhinho com o seu cachimbo não deu pra fugir
    Negão estava longe com seu pessoal
    Trotando no cavalo em cima do animal
    Quando amanheceu souberam da novidade
    Que a princesa assinou a Lei da Liberdade

    O capitão do mato ficou chateado
    Com a monarquia e a fuga dos escravos
    Foi uma aventura desse grande guerreiro
    Que se emocionou com esse pesadelo
    Vou acabar o mistério e mandar a real

    O nome desse herói era Marcial
    Ícone virou exemplo a ser seguido
    Passou por muita treta e muito perigo
    O padre italiano fez seu casamento
    Trocaram fidelidade e o juramento
    Agradeceu a todos pela festividade

    Tiveram filhos netos e muitas amizades
    Continuou o comunismo naquela fazenda
    Confraternização muito trabalho e renda
    Guerreiro Marcial realizou seu sonho
    Viveu até o final na fazenda do Congo

    Venho aqui rimando, mas vou finalizando
    Vou refletir depois disso que eu também tenho um sonho


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