Por Qué Soy Reo
Yo soy reo sin ambiente,
No caí por una mina
Ni me sepultó en la ruina
El ser taura o gigoló.
No fui guapo prepotente
De una fama comentada
Que, una noche en la cortada,
Un rival me destronó.
Yo soy un pobre reo
Sin cuento ni leyenda,
No tengo quién me venda
Cariño ni ilusión.
Es mi único deseo
Pasarla en la catrera,
No tengo quién me quiera
Sino un perro rabón.
En mi bulín mistongo
No hay cintas, ni moñitos
Ni aquellos retratitos
Que cita la canción;
No escucho ni el rezongo
De un fuelle que se queja;
No tengo pena vieja,
Ni preocupación.
Observando que la gente
Rinde culto a la mentira,
Y el amor, con que se mira
Al que goza de poder;
Descreído, indiferente,
Insensible, todo niego;
Para mi la vida es juego
De ganar o de perder.
Por Que Sou Reu
Eu sou reu sem ambiente,
Não caí por uma mina
Nem fui enterrado na ruína
Por ser taura ou gigolô.
Não fui macho prepotente
De uma fama comentada
Que, numa noite na quebrada,
Um rival me destronou.
Eu sou um pobre reu
Sem história nem lenda,
Não tenho quem me venda
Carinho nem ilusão.
É meu único desejo
Passar na cama,
Não tenho quem me queira
Senão um cachorro sarnento.
No meu barraco sujo
Não tem fitas, nem laços
Nem aquelas fotos
Que a canção menciona;
Não escuto nem o resmungo
De um fole que se queixa;
Não tenho dor antiga,
Nem preocupação.
Observando que a galera
Rende culto à mentira,
E o amor, com que se mira
Aquele que tem poder;
Descrente, indiferente,
Insensível, tudo nego;
Pra mim a vida é jogo
De ganhar ou perder.