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Alfonsina e o Mar

Manuel Mijares

Alfonsina y El Mar

Por la blanca arena que lame el mar
Su pequeña huella no vuelve más
Y por un sendero de pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Y un sendero solo de penas mudas llegó
Hasta la espuma

Sabe Dios qué angustia te acompañó
Qué dolores viejos calló tu voz
Para recostarse arrullada
En el fondo de la caracola marina
La canción que canta en el fondo oscuro del mar
La caracola

Te vas, Alfonsina, con tu soledad
¿Qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
Que requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá, como un sueño
Dormida, Alfonsina, vestida de mar

Cinco sirenitas te llevarán
Por caminos de algas y de coral
Y fosforescentes caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes del agua van a jugar
Pronto a tu lado

Bájame la lámpara un poco más
Déjame que duerma, nodriza, en paz
Y si llama él, no le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él, no le digas nunca que estoy
Di que me he ido

Te vas, Alfonsina, con tu soledad
¿Qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
Que requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá, como un sueño
Dormida, Alfonsina, vestida de mar

Alfonsina e o Mar

Pela areia branca que o mar lambe
Sua pequena pegada não volta mais
E por um caminho de dor e silêncio chegou
Até a água profunda
E um caminho só de penas mudas chegou
Até a espuma

Sabe Deus que angústia te acompanhou
Que dores antigas calou sua voz
Para se recostar embalada
No fundo da concha do mar
A canção que canta no fundo escuro do mar
A concha

Você vai, Alfonsina, com sua solidão
Que poemas novos você foi buscar?
Uma voz antiga de vento e de sal
Que despedaça a alma e a está levando
E você vai pra lá, como um sonho
Dormindo, Alfonsina, vestida de mar

Cinco sereias te levarão
Por caminhos de algas e de coral
E cavalos-marinhos fosforescentes farão
Uma roda ao seu lado
E os habitantes da água vão brincar
Logo ao seu lado

Baixa um pouco a lâmpada pra mim
Deixa eu dormir, ama, em paz
E se ele ligar, não diga que estou
Diga que Alfonsina não volta
E se ele ligar, nunca diga que estou
Diga que fui embora

Você vai, Alfonsina, com sua solidão
Que poemas novos você foi buscar?
Uma voz antiga de vento e de sal
Que despedaça a alma e a está levando
E você vai pra lá, como um sonho
Dormindo, Alfonsina, vestida de mar

Composição: Ariel Ramírez