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O Vinho Triste

Manuel Romero

El vino triste

Dicen los amigos que mi vino es triste,
que no tengo aguante ya para el licor,
que soy un maleta que ya no resiste
de la caña brava ni el macho sabor...
Y es que ya se ha muerto todo lo que existe
y entre copas quiero matar mi rencor...
Siempre estoy borracho desde que te fuiste,
siempre estoy borracho... pero es de dolor...

Amigos,
a todos pido perdón
si amargado y tristón
lagrimeando me ven...
Quiero domar mi emoción
pero aflojo también
como todo varón.

Amigos,
cuando se tiene un pesar
dentro del corazón,
no se puede evitar
que el vino se vuelva pesado
y llorón
como el triste
aletear de mi canción.

Dicen los amigos que no soy el mismo,
que hoy en cuanto bebo me da por no hablar,
por arrinconarme con mi pesimismo
y que hace ya tiempo no me oyen cantar...
Y no saben ellos que no es la bebida
sino que me faltan el aire y la luz,
que en el alma llevo sangrando una herida
y voy por la vida cargando mi cruz...

O Vinho Triste

Dizem os amigos que meu vinho é triste,
que não tenho mais força pra beber,
que sou um mala que já não resiste
da cachaça forte nem do gosto macho...
E é que já morreu tudo que existe
e entre as doses quero matar meu rancor...
Sempre tô bêbado desde que você foi embora,
sempre tô bêbado... mas é de dor...

Amigos,
a todos peço perdão
se amargurado e tristão
me veem chorando...
Quero domar minha emoção
mas me entrego também
como todo homem.

Amigos,
quando se tem uma dor
dentro do coração,
não dá pra evitar
que o vinho fique pesado
e chorão
como o triste
bater da minha canção.

Dizem os amigos que não sou o mesmo,
que hoje, quando bebo, me dá vontade de não falar,
que fico encostado com meu pessimismo
e que há muito tempo não me ouvem cantar...
E não sabem eles que não é a bebida
mas que me falta o ar e a luz,
que na alma eu carrego uma ferida
e vou pela vida carregando minha cruz...

Composição: