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Paris

Mão Morta

Paris

R. Oberkampf.
A cidade maquilha-se. De sombras.
De tráfego. A crescer no Boulevard.
Ensurdece a chambre de bonne
Contra camião em descargas.
Apitos. Vozes iradas. Gritos.
Revolteiam. Fustigam. Folhas d'Outono.

Place de la République.
Vibra o tráfego. Intenso. No ar.
Na esplanada. Na turba que passa.
Sentado. Descanso o olhar.
Perturbado. No cartaz da Clio.
Na beleza da rapariga.
Descubro. Olvidadas memórias.

Le Boulevard Voltaire.
Evoque toute une littérature
De Lautrèamont à Baudelaire
La place de Clichy
Nous rappele Henry Miller
Et le pont Mirabeau
La joie d'une chanson.
On voit Rimbaud
Dans les rives de la Seine
Se promener
Avec le fantôme d'un poème
Et là bas, à Saint-Germain
Boris Vian
Qui Joue aux américains.
On voit Toulouse-Lautrec.
On voit Adèle Blanc-Sec.
Et on se trouve, comme pour hasard
Dans un film de Godard...

Paris...
La ville des Rêves!...

Ville d'images
Eternel représantation
De l'amour toujours passion;
C'était là que j'ai decapité
Ma bien-aimèe
Et je me suis imprégné
De son sang chaud
Dans un serment
D'amour ardent,
D'amour à mort...

Quai de la Rapée.
Longínquo. O burburinho da cidade.
Desperta-me. Uma barcaça.
Do torpor em que mergulhara.
Aqui. Degolei a minha amada.
Untei-me. Com seu sangue quente.
Jurei. Amor eterno.

Paris

R. Oberkampf.
A cidade se enfeita. De sombras.
De tráfego. Crescendo no Boulevard.
Ensurdece a quitinete
Contra caminhão em descarga.
Apitos. Vozes irritadas. Gritos.
Revoltam. Fustigam. Folhas de Outono.

Place de la République.
Vibra o tráfego. Intenso. No ar.
Na esplanada. Na multidão que passa.
Sentado. Descanso o olhar.
Perturbado. No cartaz da Clio.
Na beleza da garota.
Descubro. Memórias esquecidas.

Le Boulevard Voltaire.
Evoca toda uma literatura
De Lautréamont a Baudelaire
A praça de Clichy
Nos lembra Henry Miller
E a ponte Mirabeau
A alegria de uma canção.
Vemos Rimbaud
Nas margens do Sena
Passeando
Com o fantasma de um poema
E lá, em Saint-Germain
Boris Vian
Que toca os americanos.
Vemos Toulouse-Lautrec.
Vemos Adèle Blanc-Sec.
E nos encontramos, como por acaso
Em um filme de Godard...

Paris...
A cidade dos Sonhos!...

Cidade de imagens
Eterna representação
Do amor sempre apaixonado;
Foi lá que decapitei
Minha amada
E me impregnei
De seu sangue quente
Em um juramento
De amor ardente,
De amor até a morte...

Quai de la Rapée.
Longínquo. O burburinho da cidade.
Desperta-me. Uma barcaça.
Do torpor em que mergulhei.
Aqui. Degolei minha amada.
Untei-me. Com seu sangue quente.
Jurei. Amor eterno.

Composição: Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes