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O Facão Brasileiro

Marcelo Miraglia

El Facon Brasilero

Tengo un facón brasilero
Que asusta con su presencia
Me ha costado su tenencia
Muchas bocas en el cuero
Perteneció a un pendenciero
Con quien pelié cierto día
Un bayano que tenía
Asustao, y con razón
Al pueblo de Yaguarón
Y en jaque a la policía

Yo no soy gaucho cobarde
Ni soy muy flojo tampoco
Pero me alzo con muy poco
Cuando andan haciendo alarde
Como digo, fue una tarde
De esas tardes desgraciadas
Alcohol, mujeres, miradas
Y como epílogo final
Un facón frente a un puñal
Y un mundo de puñaladas

De setenta puñaladas
Que dicen que nos tiramos
En mi cuerpo solo hallamos
Diez bocas ensangrentadas
Las mías muy mal rumbiadas
(Estuve mal esa vez)
Pero dijeron después
Los mismos que me curaron
Que al bayano le encontraron
Nada más que veintitrés

Qué hombre bravo el bayano
Y noble hasta en su agonía
Muriéndose me pedía
Que le estrechara la mano
Yo me muero castellano
Para mí no hay salvación
Pero dame tu perdón
Perdón, hermano y olvida
Yo, en cambio, te doy mi vida
Y con mi vida el facón

Quisiera contarte amigo
El porqué ansiaba esta suerte
Ahora que siento la muerte
A los tirones conmigo
Este facón como digo
Fue mi compañero fiel
Y aunque decirlo es muy cruel
Las cruces que en él verás
Cuéntalas y así sabrás
Las muertes que hice con él

Bien ya de las puñaladas
Que aquel bayano me dio
Un día se me ocurrió
Contar las cruces citadas
Allí estaban dibujadas
Con salvaje simetría
Veintitrés cruces había
Veintitrés hombres mató
Pero el Diablo le falló
Al querer grabar la mía

Por cada vida tronchada
Por ese brazo maldito
Cuál un castigo inaudito
Yo le di una puñalada
Esta es la historia malvada
De mi tremendo facón
Yo no sé por qué cuestión
Por qué coincidencia loca
Llenó mi cuero de bocas
Sin tocarme el corazón

O Facão Brasileiro

Eu tenho um facão brasileiro
Que assusta só de aparecer
Me custou muito pra ter
Muitas marcas na pele
Pertenceu a um briguento
Com quem briguei um dia
Um cara que tinha
Medo, e com razão
Do povo de Yaguarón
E em cheque a polícia

Eu não sou gaúcho covarde
Nem sou muito frouxo também
Mas me levanto com pouco
Quando andam fazendo alarde
Como eu disse, foi uma tarde
Daquelas tardes infelizes
Álcool, mulheres, olhares
E como epílogo final
Um facão frente a um punhal
E um mundo de facadas

De setenta facadas
Que dizem que trocamos
No meu corpo só achamos
Dez marcas ensanguentadas
As minhas muito mal feitas
(Estive mal daquela vez)
Mas disseram depois
Os mesmos que me curaram
Que o cara só tinha
Nada mais que vinte e três

Que homem bravo o cara
E nobre até na agonia
Morrendo me pedia
Que lhe apertasse a mão
Eu morro castelhano
Pra mim não há salvação
Mas me dá teu perdão
Perdão, irmão, e esquece
Eu, em troca, te dou minha vida
E com minha vida, o facão

Queria te contar, amigo
O porquê ansiava essa sorte
Agora que sinto a morte
Me puxando pra mim
Esse facão, como eu disse
Foi meu companheiro fiel
E embora dizer isso seja cruel
As cruzes que nele verás
Conta elas e assim saberás
As mortes que fiz com ele

Bem, já das facadas
Que aquele cara me deu
Um dia me ocorreu
Contar as cruzes citadas
Lá estavam desenhadas
Com selvagem simetria
Vinte e três cruzes havia
Vinte e três homens matei
Mas o Diabo falhou
Ao querer gravar a minha

Por cada vida ceifada
Por esse braço maldito
Qual um castigo inaudito
Eu lhe dei uma facada
Essa é a história malvada
Do meu tremendo facão
Eu não sei por que questão
Por que coincidência louca
Preencheu minha pele de marcas
Sem tocar meu coração

Composição: Juan Pedro López