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Amado Timóteo (versão completa)

Marco Telles

LetraSignificado

    Na presença de Deus e de Cristo Jesus
    Que há de julgar os vivos e os mortos
    Eu o exorto solenemente
    Pregue a Palavra

    É com este imperativo que Paulo inicia suas últimas palavras
    Ao seu filho na fé, Timóteo
    Essa é a sua segunda carta ao jovem pregador
    E possui um valor histórico sem precedentes
    Afinal, além de ser uma convocação solene ao ministério
    E, por isso, conter sagradas lições pra qualquer cristão vocacionado
    Trata-se também da última carta paulina que temos registro
    Ao que tudo indica, este foi seu último documento
    Estamos mesmo diante das últimas palavras do apóstolo Paulo
    Não apenas à Timóteo, mas ao mundo
    Como chega ao fim dos seus dias um homem de Deus?
    Quais as circunstâncias que o rodeiam em seus momentos finais?
    O que o leva a escrever essa carta
    Ao seu amigo querido, ao seu filho amado?

    O pedido de Paulo não poderia ser mais solene
    Pregue a Palavra
    Este é o resumo de absolutamente tudo
    O que Paulo vem dizendo a Timóteo desde o começo desta carta
    Não é uma carta qualquer, é uma convocação última e urgente
    Pra que Timóteo se erga de suas limitações e de seus temores
    E assuma o lugar de seu tutor
    Uma vez que Paulo está mesmo chegando ao fim de sua jornada ministerial
    É hora do jovem Timóteo se erguer
    Com ainda maior compromisso e valentia
    Paulo diz se lembrar das lágrimas sinceras de Timóteo
    E da fé não fingida que ele recebeu de bom grado
    E acolheu no peito, por meio da fala de sua mãe e de sua vó Lóide

    Deus não nos deu espírito de covardia
    Mas de poder, e amor, e equilíbrio
    Foi o que Paulo lembrou a Timóteo
    No primeiro capítulo dessa carta
    Enquanto fazia referência à santa vocação que Cristo nos fez
    Evite conversas inúteis e profanas
    Enfatizou Paulo no segundo capítulo
    Fuja dos desejos malignos da juventude
    No capítulo três, Paulo se recusa em esconder de seu discípulo
    A face escura do ministério, e diz sem medo
    Todos os que desejam viver piedosamente em Cristo serão perseguidos
    Tu, porém, permaneça nas coisas que aprendeu por meio das Escrituras
    Pregue as Escrituras
    Esse é um mandamento tão solene
    Que as testemunhas convocadas
    Diante das quais Paulo ordena a Timóteo que pregue
    São Deus e Cristo Jesus

    Alguns já haviam questionado o ministério do jovem Timóteo
    Mas não era a hora de se entristecer por isso
    Pregue a Palavra
    Outros já o haviam ridicularizado
    Por seguir um pobre coitado feito Paulo, sempre perseguido
    Mas não era a hora de se envergonhar
    Pregue a Palavra
    Alguns chegam a sugerir que a própria personalidade de Timóteo
    Seria também uma barreira, possivelmente tímido e inseguro
    Mas não era a hora de se ensimesmar, era a hora de se expor
    E pregar a Palavra em tempo ou fora de tempo

    E é como se Deus segredasse ao ouvido de Paulo
    Sobre os dias que viriam, os dias de hoje, e aí Paulo vai dizer
    Timóteo, vai chegar o tempo em que não suportarão a sã doutrina
    A verdade causará coceira nos ouvidos
    As pessoas vão atrás de pregações inofensivas
    Vão configurar pregadores que lhes afaguem o ego
    Que troca infeliz, a dura verdade pela suave mentira
    Fábulas e mitos podem emocionar
    Mas são incapazes de nos salvar eternamente
    E é por isso que Paulo insiste
    Timóteo, eles podem, você não
    Seja sóbrio, pregue o verdadeiro Evangelho e vem sofrer comigo
    Feito um soldado nas trincheiras de uma guerra
    O abandono em massa do Evangelho
    E o fracasso coletivo de boa parte dos primeiros convertidos
    Não eram as únicas razões pelas quais Timóteo
    Deveria se posicionar em favor de Cristo, assumindo sua vocação
    Outra razão oferecida por Paulo era sua morte iminente
    Ou, como ele gostava de figurar, a sua oferta de libação

    Os rituais e sacrifícios praticados no Velho Testamento
    Incluíam essa tal oferta de libação
    Que seria o momento em que o altar
    Sobre o qual os animais eram sacrificados
    Seria lavado por algum líquido
    Geralmente vinho ou óleo
    O aroma perfumado destes líquidos
    Denunciava que já estava chegando no fim da cerimônia
    Essa foi a figura usada por Paulo pra descrever sua morte
    Ele não desenha essa tela com cores densas, escuras
    Mas com o vivo vermelho de um vinho sendo aspergido
    Não tem cheiro de medo ou luto
    Sua morte tem cheiro de vida e festa
    As rimas não são azedas e melancólicas, não
    Sua morte rima com o doce do vinho
    E este é precisamente o convite de Paulo a Timóteo
    Venha sofrer comigo

    [Parte I - Até Sozin]
    Recebemos bom tesouro
    Tá guardado aqui
    Nosso peito tem segredos
    Só se pode ver

    Se olhar de perto e provar da alegria que é chorar
    Se sofrer comigo feito um soldado, em Cristo se ancorar

    Sei em quem eu creio
    Estou certo de que tem poder
    E é santa a vocação que Ele nos deu

    Acreditar no Evangelho é ir
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah)
    E caminhar seguro, até sozin
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah)
    Acreditar no Evangelho é ir
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah)
    E caminhar seguro, só, sozin

    Vem olhar de perto e provar da alegria que é chorar
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah)

    Acreditar no Evangelho é ir
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah) (vai, uou!)
    E caminhar seguro, até sozin
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah) (seguro, até sozin)
    Acreditar no Evangelho é ir (vai, vai!)
    (Ê-oh, ê-oh, ê-ah, ê-oh, ê-oh, ê-ah)
    E caminhar seguro, só, sozin

    Vem depressa ao meu encontro
    Pois Demas, amando este mundo, abandonou-me
    Crescente foi pra Galácia, Tito pra Dalmácia
    Só Lucas está comigo
    Traga Marcos, ele me é útil
    Traga uma capa e meus livros

    Veja o risco que Timóteo está correndo
    A convocação solene de Paulo
    Mais parece com um náufrago à deriva, insistindo sorridente
    Pra que o marinheiro abandone a segurança do navio
    E se lance com ele no mar
    Vem depressa, Timóteo
    Abandone suas frustrações, suas inseguranças
    Não há tempo a perder com questões banais sobre aprovação
    Nem espere lá que te aprovem tanto assim
    Vem depressa
    E por que a pressa?

    Paulo vai dizer que, em primeiro lugar
    Timóteo deveria se apressar porque Demas o abandonou
    Amando o presente século, o abandonou
    Esse é o mesmo Demas que foi citado na carta de Colossenses
    Ao lado de Lucas, certamente um companheiro na jornada paulina
    Depois, ele foi citado novamente em Filemom
    Como um cooperador de Paulo
    E aqui ele encerra sua jornada
    Recebendo o pior dos adjetivos prum cristão: Fujão

    Agora vejam
    Se Demas abandonou o Evangelho por amar aquele século primitivo
    Quais seriam as nossas chances?
    Como me certificar de que eu também
    Não seja tomado como um desses
    Que cooperam na causa nobre do Evangelho
    Mas fogem na hora da morte?
    Feito aqueles que seguiam a Jesus
    Mas se recusaram a comer de Sua carne e beber Seu sangue
    Como Timóteo permaneceu?
    Como eu poderia permanecer?

    Paulo lembra a Timóteo, ainda nessa carta
    Que seu sucesso não estaria garantido pela força do seu próprio braço
    Mas na Graça, no favor imerecido de Cristo
    Foi por essa Graça que Pedro bradou
    Uma das afirmações áureas da fé cristã
    Como eu poderia fugir? Pra onde mais eu iria?
    Só Tu tens palavra de vida eterna
    E o abandono de Demas não é a única razão
    Pela qual Timóteo precisa se apressar
    Paulo vai continuar dizendo que Crescente foi pra Galácia
    Tito pra Dalmácia e, nesse caso
    Não se trata de abandono de fé
    Se trata de desdobrar-se em tantos quantos podia
    A fim de atender uma demanda gigante
    Os campos estavam brancos e poucos eram os ceifeiros
    E os poucos que ali ainda se mantinham fiel ao Evangelho se desdobravam
    E é por isso que Paulo diz: Vem depressa, Timóteo
    Eu sei que cê tá cuidando aí da igreja em Éfeso
    Mas sua presença aqui é muito necessária
    Eu já enviei Tíquico pra assumir seu lugar
    Vem, porque os campos estão brancos

    Embora eu tenha crescido na igreja
    Nunca vi missionário nenhum
    Dando testemunho de que seu campo de trabalho
    Tá cheio de mão de obra, é sempre o contrário que se vê
    Porque é assim que se faz a obra de Deus
    Em absoluta dependência
    Rogando ao Senhor da Seara que envie trabalhadores depressa
    A obra de Deus sempre vai ser maior do que me julgo capaz de suportar

    Veja Paulo, por exemplo
    O grandioso Paulo era falho e, por vezes, inflexível
    No começo de sua relação com Marcos
    Não teve paciência pra suportar os melindres do jovem Marcos
    Mas aqui, no final de sua jornada, como um de seus últimos desejos
    Pede à Timóteo: Traga Marcos com você, ele me é útil
    A obra de Deus é feita por gente falha como Paulo
    Mas que, ao modelo de Paulo, se deixam persuadir
    Pela ação do Espírito Santo através do tempo

    Algum Paulo já te machucou por aí?
    Perdoe, dê tempo ao tempo
    Algum Marcos já lhe tirou do sério?
    Espere
    E vê bem se ele não termina sendo, no fim das contas
    Útil pra você na jornada cristã
    Toda essa solidão paulina fica ainda mais evidente na próxima frase
    Traga-me uma capa e não se esqueça dos meus livros
    Paulo está só, sente frio, sente falta
    E que eu preciso lhe perguntar seriamente
    Você quer esse Evangelho?
    Talvez tenham mentido pra você
    E lhe prometendo um Evangelho de glamour, mas olhe bem aqui
    O maior missionário da igreja tá terminando seus dias assim
    Preso, com frio
    E pedindo pra que alguém lhe traga pelo menos alguns livros
    Lembre-se de Cristo na cruz
    Sentindo falta não de qualquer outra coisa
    Mas a falta do próprio Pai
    Você quer esse Evangelho?
    Mesmo sabendo que tá correndo risco de tomar a mesma trilha
    E terminar seus dias pedindo prum amigo distante
    Traga-me uma capa e alguns livros?

    Uma voz antiga disse certa vez
    Deus, se tratas assim Seus amigos mais próximos
    Não me admira de que tenhas tão poucos
    Esse é Paulo
    Chegando ao fim de seus dias

    [Parte II - A Partida]
    Mãos cansadas, desatando
    Nós que o prendem aqui
    Soltam o barco, aguardando
    Hora de partir

    Mas a sua canção
    Não carrega a dor de quem se vai

    Mãos marcadas pelas lutas
    Tidas, sem fugir
    Esvaziam todo o barco
    De tudo, de si

    Pois a sua canção
    Não carrega a dor de quem se vai
    E em seu coração
    Guarda a fé que o fez encontrar paz

    Mãos que, ao ver o frio do inverno
    Não perdem o sorrir
    Aquecidas pela graça, tornam a repetir

    Dor nenhuma se compara com a glória por vir
    Dor nenhuma se compara com a glória por vir

    Dor nenhuma, alma nua
    Tô chegando aí

    Alexandre, o ferreiro, causou-me muitos males
    O Senhor lhe dará a retribuição pelo que fez
    Previna-se contra ele
    Porque se opôs fortemente às nossas palavras
    Na minha primeira defesa, ninguém apareceu pra me apoiar
    Todos me abandonaram
    Que isso não lhes seja cobrado

    Quando a gente tem em mente
    Que essa carta de Paulo ao seu amado Timóteo
    É, na verdade, uma solene convocação pra obra do ministério
    Essa sessão aqui onde ele fala sobre a traição de Alexandre
    E o abandono que sofre durante sua primeira defesa
    Demonstra o nível de sinceridade de Paulo pra com Timóteo
    Não existe nenhuma intenção de maquiar a realidade do ministério
    Timóteo não estava sendo enganado
    Quanto aos terríveis perigos de se lançar na preciosa jornada
    Que é a proclamação da verdade de Deus
    Enquanto o velho Paulo prepara seu jovem sucessor
    Pra realidade das dores do ministério
    Ele poderia dar vários conselhos

    Quando o assunto era sofrimentos e perdas
    Ninguém melhor pra rechear a pauta de experiências pessoais do que Paulo
    Ele podia falar sobre a dor das chicotadas ou dos aprisionamentos
    Nas argolas aí das masmorras
    Ele podia falar pra Timóteo sobre naufrágios, apedrejamentos
    Tudo isso Paulo sofreu, tudo isso poderia sobrevir a Timóteo
    Mas o que Paulo considera de singular importância, no fim das contas
    É preparar Timóteo pra traição no campo
    Timóteo, Alexandre, isso dói
    Se até mesmo nosso Cristo teve que passar
    Pelo amargo anoitecer de um beijo amigo
    Que o levou diretamente aos braços de Seus perseguidores
    Estaria Paulo livre de sofrer o mesmo?
    Deveria Timóteo se enganar quanto a real possibilidade
    De provar também em sua face esse beijo?
    Ao que tudo indica, segundo alguns comentaristas
    Alexandre, é, teria sido alguém influente
    Com quem Paulo poderia ter contado
    Durante seu primeiro julgamento
    Mas ao invés de oferecer ajuda no caso de Paulo
    Alexandre teria sido seu principal opositor
    Durante a sessão de sua defesa
    E como se não bastasse, lá está o velho Paulo
    Lançado feito um animal amarrado diante de sua presa
    Se levanta com dificuldade pra falar em sua defesa
    Mas quando olha ao seu redor, encontra os magistrados
    Seus perseguidores estão lá, tem até os curiosos
    Mas não acha sequer um rosto amigo
    O velho Paulo está vivendo os seus dias mais difíceis em absoluta solidão
    Ele, que tanto desejou partilhar do sofrimento de Cristo
    Se vê agora como Ele em Sua cruz, abandonado por seus amigos

    Quem de nós suportaria essa pressão
    Sem amaldiçoar a si mesmo?
    Sem desacreditar sua própria jornada?
    Valeu a pena, Paulo?
    Vê bem aí ao seu redor
    Gastou sua vida em favor de tanta gente
    Abraçou tanto por aí
    E no dia de sua terrível dor
    Quantos estão aqui pra lhe devolver esse abraço?
    Valeu a pena, velho Paulo?

    E a pergunta volta pra você
    Você quer esse Evangelho?
    Olha bem pra esse texto e me responda
    Quer mesmo correr o risco
    De chegar nos últimos dias de sua jornada como o velho Paulo?
    Como o Seu Cristo?
    Olhe bem, veja bem
    Se você começar a se envolver demais
    Com esse negócio de igreja, de Cristo, de Evangelho
    Você vai ter que começar a perder algumas coisas
    Que qualquer um considera em grande estima
    Se seu envolvimento chegar até o pescoço
    É possível que perca alguns amigos
    Talvez aquela promoção tão sonhada na carreira profissional
    Porque as ideias do Evangelho
    Vão bagunçar sua cabeça de uma forma bem estranha a princípio
    E você corre sérios riscos de ter de configurar sua postura pública e privada
    Você quer esse Evangelho?
    Se chegar ao ponto de envolver-se
    Até submergir no oceano desse Evangelho
    E já não saber mais quem é você e quem é Cristo
    Aonde começa Cristo em você e até onde vai você em Cristo
    Você pode chegar, sim, ao ponto de estar sozinho
    Escrevendo pra algum amigo distante
    Ei, me envia aí uma capa e alguns livros
    Mas as Escrituras garantem que não é possível de forma nenhuma
    Que você chega ao seu último dia
    Sem a presença do mesmo Cristo que o encontrou
    Com mesmo olhar compassivo que lhe acolheu

    Paulo continua o texto dizendo
    Mas o Senhor permaneceu ao meu lado
    E me deu forças pra que por mim
    A mensagem fosse plenamente proclamada
    O Senhor me livrará de toda obra maligna
    E me levará a salvo pro Seu reino celestial
    A Ele seja a glória pra todo sempre, amém

    O convite do velho Paulo ao seu amado Timóteo
    Não era pra se jogar em absoluta insegurança
    No mar revolto, afinal de contas, não
    Era o oposto
    O convite de Paulo era pra que Timóteo subisse ao navio mais firme
    Aliás, que subisse na rocha inabalável que é Cristo
    Por isso, a insistência
    Timóteo, eles podem regredir
    Pode acontecer de aquele lá te trair e o outro te machucar
    Na verdade, vai acontecer de muitos virarem as costas
    Pro Evangelho que você proclama
    Tu, porém, permaneça firme
    Timóteo, eles podem, você não

    [Parte III - Tu, Porém]
    No entardecer
    Dos tempos, a verdade verá
    Em liberdade, a ambição
    Dançando com seus mestres em santo chão

    Cada um, em desprezo, abandona o outro
    Cada um, desespero, só se abraça, e é pouco
    Não tem céu, teto, chão, verdade presa na escuridão
    Oh-oh-oh, na escuridão

    Tu, porém, permaneça em Mim
    Tu, porém, guarde o que Eu falei
    Tu, porém, fortifica-te
    É o bastante a graça que Eu deixei

    Tu, porém, permaneça em Mim
    Tu, porém, guarde o que Eu falei
    Tu, porém, fortifica-te
    É o bastante a graça que Eu deixei

    Tu, porém
    Sei dos outros
    Tu, porém
    Eles podem
    Tu, porém
    Vão ser muitos
    Tu, porém
    Sê fiel até o fim

    Só vem
    E traz a capa aí também
    Livro, amigos
    E só vem
    Eu tô sozinho
    Tu, porém
    Sê fiel comigo

    E se perder tudo que tu tens aí
    Se alegre então por saber: Deus está aí

    Na realidade do Evangelho
    A realidade das coisas costuma ganhar outras cores
    Morte, aqui, tem cheiro de vida
    O choro às vezes ganha contornos amarelos e soa festivo
    Na realidade subversiva do Evangelho, é dando que se recebe
    Eu sei que você tem sido treinado pra reter
    Sucesso pra gente é retenção em massa
    Mas, veja, o sucesso de Cristo
    Foi medido pelo nível de Seu esvaziamento
    Enquanto Paulo está aos olhos de todos ali no tribunal
    Sozinho, abandonado, sujo, doente
    Ele vive, na verdade, seus momentos de maior alegria
    Ao relatar esse episódio, ele deixa escapulir
    Uma pequena e bela canção de louvor
    A Ele seja a glória pra todo sempre, amém
    Ele nunca esteve tão bem acolhido como em sua solidão
    Na realidade do Evangelho
    A realidade das coisas costuma ganhar outras cores

    Estamos caminhando pras últimas palavras dessa carta
    As últimas palavras registradas do grandioso Paulo
    Aliás, do pobre coitado e aprisionado Paulo
    Porque, na realidade do Evangelho
    A realidade das coisas é outra

    Saudações à Priscila, e Áquila, e à casa de Onesíforo
    Erasto permaneceu em Corinto
    Mas deixei Trófimo doente em Mileto
    Procure vir antes do inverno
    Êubulo, Prudente, Lino, Cláudia
    E todos os irmãos enviam-lhe saudações
    O Senhor seja com Seu espírito, a Graça seja com você

    Como chega ao fim de sua jornada um homem de Deus?
    Paulo chegou assim
    Aparentemente sozinho
    Mas nenhuma gota de amargura no peito
    Antes, saudações e gratidão são exaladas
    Por meio de suas palavras
    Ele faz menção de amigos queridos
    Com quem dividiu momentos importantes na fé
    Priscila e Áquila que já haviam partilhado estrada missionária
    Com Paulo, em ocasiões passadas
    Onesíforo que já foi mencionado por Paulo
    Como alguém que o animava muito
    Cita Erasto também
    Possivelmente tesoureiro na igreja em Corinto
    Uma igreja que parece ter demandado muito da atenção do apóstolo

    Como chega ao fim um homem de Deus?
    O que Paulo está se ocupando em fazer
    Nos últimos momentos de sua jornada?
    Bem, Paulo estava fazendo aqui
    O que fez durante todo o seu ministério
    Ele tá pensando nos outros
    Deixei Trófimo doente em Mileto
    É quase como ver a Cristo ali no madeiro, em grande dor e agonia
    Mas, ainda sim, reservando algum momento pra cuidar de Sua mãe
    E de Seu discípulo mais novo
    Filho, eis aí a tua mãe
    Mãe, eis aí o teu filho
    Cristo entregou o coração partido de Sua mãe aos cuidados de João
    Paulo entregou o doente Trófimo aos cuidados de seu discípulo
    Quem de nós pensaria em mais alguém na hora de sua dor?
    Paulo pensou
    Cristo também
    Porque na realidade do Evangelho
    A realidade das coisas costuma ganhar outras cores
    Paulo ainda arranja espaço pra citar cuidadosamente
    Nomes daqueles que, muito provavelmente, são seus últimos frutos
    Êubulo, Prudente, Lino, Cláudia e os irmãos todos
    É como quem diz
    Se você chegar aqui, Timóteo, e eu não estiver mais
    Procure por esses novos convertidos
    E aí nós chegamos de fato no fim

    Pra quem acompanhou
    A jornada cinematográfica de Frodo e a Sociedade do Anel
    Lembra muito bem da cena comovente
    Que foi a despedida que esse pequeno e corajoso hobbit com seus amigos
    Mas o momento mais emocionante foi o último abraço
    Frodo olha compassivo pro seu companheiro de jornada, Sam
    E, em silêncio solene, os dois parecem reviver toda aventura
    Que os tirou do Condado e os levou até ali
    É precisamente nesse ponto da história de Paulo e Timóteo que chegamos
    Nas próximas frases, são o último abraço de Paulo em seu filho Timóteo
    E ele poderia fazer votos de que Timóteo fosse muito bem na vida
    Tivesse muitos amigos e tudo mais
    Mas não é nada disso que Paulo deseja a Timóteo
    Paulo sabia muito bem
    O que foi que o livrou de padecer inúmeras vezes
    E padecer aqui não é no sentido de morte, não
    Porque morte pra Paulo é lucro, né?
    Lembre-se: Na realidade do Evangelho
    A realidade das coisas costumam ganhar outras cores
    Paulo sabe muito bem o que desejar a Timóteo

    Timóteo, quando eu tinha sua idade, quando eu era jovem
    Eu fui até Deus, desesperado
    Com um espinho que me aferroava a alma
    Mas Deus disse: Paulo, não se avexe, não
    A Minha graça te basta
    Porque o Meu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza
    E é isso, Timóteo, que eu desejo a você
    O favor imerecido dos céus
    Que certamente me abrirá os portões celestiais
    Timóteo, que a Graça seja com você
    E ao dizer isso, descansou a pena do poeta
    Descansou o apóstolo eternamente
    Missão cumprida
    Seu ministério findou

    Eu não sei se Timóteo chegou lá antes do inverno como Paulo desejou
    Mas a pergunta é se você vai chegar antes do inverno
    Timóteo, vem depressa

    [Parte IV - Perder]
    Se eu perder tudo que juntei aqui
    Me alegrarei, pois eu sei que tenho a Ti
    Me ponho ao chão pra agradecer
    O Teu amor por mim
    Teu sangue sobre mim

    Todos os dias
    Minha beleza será
    Todos os dias
    Minha riqueza será
    Todos os dias, a minha glória
    Será o Senhor, será o Senhor

    Se eu perder tudo que tenho aqui
    Me alegrarei, pois eu sei: Tenho a Ti
    Me prostro ao chão pra agradecer
    O Teu amor por mim
    Tua graça sobre mim

    Se eu perder tudo que juntei aqui
    Me lembre só mais uma vez: Tenho a Ti
    Me prostro ao chão pra agradecer
    O Teu amor (ê-ah-ê-oh, ê-ah-ê-oh)
    Vou pro chão pra agradecer
    O Teu amor (ê-ah-ê-oh, ê-ah-ê-oh)
    Vou pro chão pra agradecer
    O Teu amor (oh-oh-oh-oh)

    É Graça que me acaba
    E depois que eu juntei tanto
    E depois de tantas vezes
    É Graça que acaba
    E destrói, não fica nada
    Só a Graça

    (Ê-ah-ê-oh, ê-ah-ê-oh)
    (Ê-ah-ê-oh, ê-ah-ê-oh)
    (Ê-ah-ê-oh, ê-ah-ê-oh)

    Composição: Marco Telles / Filipe da Guia. Essa informação está errada? Nos avise.
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