En Tu Agujero
Me importa una mierda los labios que quieras bordar
Pero con la que cae
¿Dónde vas desde que te han 'cerrao' los tejados?
Me limo las uñas, no tengo ganas de trepar
La verdad es que ni ganas de ná
Tengo ya los nudillos cansados
De quitar cascotes cuando me empiezo a derrumbar
De apilarlos para sombrear
Y anudarme desnudo en tus brazos
Que teja en las tejas la lluvia, que a mi me da igual
Más difícil para resbalar, más sencillo quedarme enredado
Después de pasar la noche en tu agujero
Salgo del portal, y tó me importa un huevo
Empiezo a escuchar un avispero
Y me vuelvo contigo y lo veo a colores
Mi lápiz entiende de sucios amores
Y unas sábanas chorreando
Le da por pintar
Y de puertas pa fuera se hará todo añicos
Pa cuando te enteras ya soy tu abanico
Que me hice con varas del aire pa no molestar
No busques razones de piedra, no vas a encontrar
Más que hiedra intentado abarcar
Campos yermos que tengo por dentro
Y barro y manchitas muy secas que dan que pensar
Adoquines que están por pisar
Pisotones haciendo senderos
Que ya tengo bastante con lo que poder fumigar
Calendarios que tiran patrás
Tengo los dedos amarillentos
De buscar candela en la estela que haces al pasar
De estañarme a tu enjambre y libar
Con el humo de mis pensamientos
Después de pasar la noche en tu agujero
Salgo del portal, y tó me importa un huevo
Empiezo a escuchar un avispero
Y me vuelvo contigo y lo veo a colores
Mi lápiz entiende de sucios amores
Y unas sábanas chorreando
Le da por pintar
Y de puertas pafuera se hará todo añicos
Pa cuando te enteras ya soy tu abanico
Que me hice con varas del aire pa no molestar
Corté la garganta del gallo que quiso cantar
Alboradas para celebrar que la noche se estaba muriendo
Que si no amanezco, me crezco, y me puedo tragar
Cucharadas de la oscuridad de tus ojos
Y así me alimento
No Seu Buraco
Me importa uma merda os lábios que você quer bordar
Mas com a que cai
Pra onde você vai desde que te fecharam os telhados?
Me limpo as unhas, não tô a fim de escalar
A verdade é que nem vontade de nada
Tô com os nós dos dedos cansados
De tirar entulho quando começo a desabar
De empilhá-los pra fazer sombra
E me amarrar nu nos seus braços
Que a chuva caia nos telhados, pra mim tanto faz
Mais difícil pra escorregar, mais fácil ficar enrolado
Depois de passar a noite no seu buraco
Saio do portal, e tô nem aí
Começo a ouvir um enxame
E volto pra você e vejo tudo colorido
Meu lápis entende de amores sujos
E uns lençóis escorrendo
Ele começa a pintar
E de portas pra fora tudo vai se estilhaçar
Quando você perceber já sou seu leque
Que fiz com varas do ar pra não incomodar
Não busque razões de pedra, você não vai encontrar
Mais que hera tentando abarcar
Campos áridos que tenho por dentro
E barro e manchinhas bem secas que fazem pensar
Paralelepípedos que estão pra pisar
Pisotões fazendo caminhos
Já tenho bastante com o que poder fumigar
Calendários que jogam pra trás
Tô com os dedos amarelados
De buscar fogo na trilha que você deixa ao passar
De me fundir no seu enxame e beber
Com a fumaça dos meus pensamentos
Depois de passar a noite no seu buraco
Saio do portal, e tô nem aí
Começo a ouvir um enxame
E volto pra você e vejo tudo colorido
Meu lápis entende de amores sujos
E uns lençóis escorrendo
Ele começa a pintar
E de portas pra fora tudo vai se estilhaçar
Quando você perceber já sou seu leque
Que fiz com varas do ar pra não incomodar
Cortei a garganta do galo que quis cantar
Alvoradas pra celebrar que a noite estava morrendo
Que se eu não amanheço, eu cresço, e consigo engolir
Colheres da escuridão dos seus olhos
E assim me alimento