Nuestra Fosa
Ahora que estamos solos
Voy a contarte el cuento
De la gangrena del querer
Un cuento amargo
Como un otoño largo
Saliendo del letargo
Queriéndonos comer
Te contaré del aire
Que no enjaulaba nadie
Y que apresé para los dos
Un soplo impuro
Que no aflojó los nudos
Que no tiró los muros
De nuestro corazón
El día languidece
La tarde es tan cobarde
Que no se atreve a perecer
Y nuestra fosa
Vomita mariposas
Tan bellas y furiosas
Como un amanecer
Se fue la luz, y entonces lo vi todo
Brillando desde el lodo
Y te ofrecí mi canto de avestruz
Y un vendaval de besos desmedidos
Que nada está prohibido
Cuando oscurece y apareces tú
Y en cuanto el cuento acabe
No habrá vuelta de llave
Y otro demente creerá
Frente a la nada
Con las alas tatuadas
Que nada es como acaba
Y volverá a empezar
Se fue la luz, y entonces lo vi todo
Brillando desde el lodo
Y te ofrecí mi canto de avestruz
Y un vendaval de besos desmedidos
Que nada está prohibido
Cuando oscurece y apareces tú
Se fue la luz
Y te ofrecí mi canto de avestruz
Nossa Fossa
Agora que estamos sozinhos
Vou te contar a história
Da gangrena do querer
Uma história amarga
Como um outono longo
Saindo do letargo
Querendo nos devorar
Vou te contar do ar
Que ninguém aprisionava
E que eu prendi pra nós dois
Um sopro impuro
Que não desfez os nós
Que não derrubou os muros
Do nosso coração
O dia vai se apagando
A tarde é tão covarde
Que não se atreve a morrer
E nossa fossa
Vomita borboletas
Tão lindas e furiosas
Como um amanhecer
A luz se foi, e então eu vi tudo
Brilhando do lodo
E te ofereci meu canto de avestruz
E um vendaval de beijos desenfreados
Que nada é proibido
Quando escurece e você aparece
E assim que a história acabar
Não haverá volta de chave
E outro doido vai acreditar
Diante do nada
Com as asas tatuadas
Que nada é como acaba
E vai voltar a começar
A luz se foi, e então eu vi tudo
Brilhando do lodo
E te ofereci meu canto de avestruz
E um vendaval de beijos desenfreados
Que nada é proibido
Quando escurece e você aparece
A luz se foi
E te ofereci meu canto de avestruz