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Letra

    O sangue é ceiva que me singra em cevaduras
    Águas de mate, tardes mornas pro descanso
    É corredeira de saudade aguas puras
    Que às vezes brinca sobre a paz de algum remanso

    O sangue, a sanga sinuosa que me ajuda
    A decifrar muito de mim sem me falar
    Filete d’água que por vezes se transmuda
    E vai salgado me fugindo pelo olhar

    O sangue é lava que me leva e que me ateia
    Vulcões antigos que carrego adormecidos
    O sangue é lava que me escorre pelas veias
    Varrendo toda a lividez dos meus sentidos

    Por vezes calma de sanga
    Por vezes fúria de enchente
    Vermelho rio que corre
    Nas veias da minha gente

    É procedência continuarmos descendentes
    Eterna fonte a transcender vida e razão
    Um rio oculto que se espalha em afluentes
    E então renasce pra pulsar no coração

    O sangue é o velho maragato que atropela
    Desde as batalhas ancestrais que ainda trago
    Lenço encarnado de avoengas aquarelas
    Na formação existencial do nosso pago

    O sangue é lava que me leva e que me ateia
    Vulcões antigos que carrego adormecidos
    O sangue é lava que me escorre pelas veias
    Varrendo toda a lividez dos meus sentidos

    Por vezes calma de sanga
    Por vezes fúria de enchente
    Vermelho rio que corre
    Nas veias da minha gente

    Composição: RODRIGO BAUER / Juca Moraes / Erlon Pericles. Essa informação está errada? Nos avise.

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