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Dentro de Mi Mochila

Mariano Torrent

Letra

Dentro da Minha Mochila

Dentro de Mi Mochila

Orçamentos do rancor bem definidosPresupuestos del rencor bien definidos
Sonhos pequenos e possíveis pisoteadosSueños pequeños y posibles pisoteados
Por ambições enormes e insaciáveisPor ambiciones enormes e insaciables

Uma solidão de herança hereditáriaUna soledad de membresía hereditaria
Preenche as ruas. Fazer parte é inevitávelPuebla las calles. Formar parte inevitable
Do povo nos torna solitáriosDel gentío nos termina volviendo solitarios

E dentro da minha mochila, se recorda o que não foi cumpridoY dentro de mi mochila, se rememora lo incumplido

O medo não é mais viver pouco, mas viver demaisEl temor ya no es vivir poco, sino demasiado
Somos vidas desabitadas, vivendoSomos vidas deshabitadas, viviendo
Junto a outras vidas desabitadasJunto a otras vidas deshabitadas

Os que se chamam soberanos não se arrogamLos que se llaman soberanos no se arrogan
A autoria da soberania da injustiçaLa autoría de la soberanía de la injusticia
As frias cinzas de hoje, ontem foram sonhoLas frías cenizas de hoy, ayer fueron sueño

E dentro da minha mochila, um galeão fantasmaY dentro de mi mochila, un galeón fantasma

Às vezes me envergonho de ser homemA veces me avergüenzo de ser hombre
O título nobre de homo sapiens éEl título nobiliario de homo sapiens es
Um ato plenipotenciário de injustiçaUn acto plenipotenciario de injusticia

Ventre parindo sonhos sombrios observaVientres pariendo sueños oscuros observan
A exibição clandestina de um falsoLa exhibición clandestina de un falso
Esplendor no zoológico do tempoEsplendor en el zoológico del tiempo

E dentro da minha mochila, o tempo contadoY dentro de mi mochila, el tiempo contado

A melancolia é um rosto áspero pisando osLa melancolía es un rostro áspero pisando los
Calcanhares do insone em madrugadas chuvosasTalones al insomne en madrugadas lluviosas
Somos aquilo que esquecemos de esquecerSomos aquello que olvidamos olvidar

A vida morre atrás das janelas negrasSe muere la vida tras las negras ventanas
Do tempo perdido. A omissão e a culpaDel tiempo perdido. La omisión y la culpa
São gotas anônimas que embaçam o retrovisorSon gotas anónimas que empañan el retrovisor

E dentro da minha mochila, um labirinto feito de espinhosY dentro de mi mochila, un laberinto hecho de espinas

Demais pixels para tão pouco para verDemasiados píxeles para tan poco para ver
Demais decibéis para ouvidos cansados de mentirasDemasiados decibeles para oídos hartos de mentiras
Demais velocidade para almas sem destinoDemasiada velocidad para almas sin destino

Demais tempos verbais em bocas expertas em denegrirDemasiados tiempos verbales en bocas expertas en denigrar
Demais enganos a baixo custo e muito bem publicitadosDemasiados engaños a bajo costo y muy bien publicitados
Demais realidade corando a ficçãoDemasiada realidad sonrojando a la ficción

E dentro da minha mochila, desamparoY dentro de mi mochila, desconsuelo

Enormes cidades cosmopolitas envolvem milharesEnormes urbes cosmopolitas envuelven a miles
De minúsculos peixes que de vez em quando, e sóDe minúsculos peces que de a ratos, y solo
De vez em quando, realizam ações de seres humanosDe a ratos, realizan acciones de seres humanos

Os pulmões desta esfera giratória carregamLos pulmones de esta esfera giratoria cargan
Enormes quantidades de fuligem, enxofreEnormes cantidades de hollín, azufre
Nitrogênio, telejornais e melopéiasNitrógeno, telediarios y melopeas

E dentro da minha mochila, metáforas umedecidasY dentro de mi mochila, metáforas humedecidas


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