395px

As Ruas deste Século

Mariano Torrent

Las Calles de Este Siglo

Las calles de este siglo están hechas de cinismo
De adolescentes sin empleo, de porvenir crucificado
De grises, de mortajas, de pavoroso egocentrismo
De insano bienestar pagando el dolor al contado

Las calles de este siglo abrigan barrios industriales
Con obreros que sueñan que aprenden a bailar
Paisajes hechos de espanto a falta de postales
Sexo, dinero, promesas y hambre para deshojar

Las calles de este siglo son el ombligo del desastre
Son cines cerrados, refugio para la polución
Son marketing, incesto, y el implacable lastre
De los días en que la vida le da otra vuelta al cinturón

Las calles de este siglo y su mirada de cemento
Se cubren de la sangre de la víctima de hoy
Y si esta acera blasfemara incluiría en su argumento
La rapidez en que se malvive en la era del gasoil

Las calles de este siglo, monótonas y tristes
Frágiles, ingenuas, testigos hartas de atestiguar
Que la obra no ha terminado, y es un macabro chiste
La escena que mañana mudas han de presenciar

Las calles de este siglo ven estafa y caridad
Cartas de amor tiradas, relaciones clandestinas
Ven la vida y a los vivos viviendo por la mitad
Aforismos en graffitis, y un Santo Grial en cada esquina

Las calles de este siglo, incluso silenciosas
Trascienden nuestra vida, observándonos luchar
Por que parte de nuestra inmadurez es más vanidosa
Por quien cae primero y no se puede levantar

As Ruas deste Século

As ruas deste século são feitas de cinismo
De adolescentes sem emprego, de futuros crucificados
De cinzas, de mortalhas, de um egocentrismo aterrador
De um bem-estar insano pagando a dor na hora

As ruas deste século abrigam bairros industriais
Com operários que sonham em aprender a dançar
Paisagens feitas de medo, sem postais pra mostrar
Sexo, grana, promessas e fome pra desfolhar

As ruas deste século são o umbigo do desastre
São cinemas fechados, abrigo pra poluição
São marketing, incesto, e o peso implacável
Dos dias em que a vida dá outra volta no cinto

As ruas deste século e seu olhar de cimento
Se cobrem do sangue da vítima de hoje
E se essa calçada blasfemasse, incluiria em seu argumento
A rapidez com que se malvive na era do diesel

As ruas deste século, monótonas e tristes
Frágeis, ingênuas, testemunhas cansadas de atestar
Que a obra não acabou, e é uma piada macabra
A cena que amanhã mudas vão presenciar

As ruas deste século veem fraude e caridade
Cartas de amor jogadas, relações clandestinas
Veem a vida e os vivos vivendo pela metade
Aforismos em grafites, e um Santo Graal em cada esquina

As ruas deste século, até silenciosas
Transcendem nossa vida, nos observando lutar
Pois parte da nossa imaturidade é mais vaidosa
Por quem cai primeiro e não consegue se levantar